Entrevistamos o criador do SGA, utilizado em 12 postos do programa.

Alessandro Ramos da Silva tem 27 anos e é monitor do AcessaSP de Itaporanga desde 2006. Mantém o seu blog e atualiza constantemente o Sistema de Gerenciamento de Atendimentos, o SGA, que ele criou. Confira um pouco mais sobre essa idéia:

Acessa SP: Fale-nos um pouco sobre a história do SGA: quando ele começou e quais foram as razões para desenvolvê-lo.

Alessandro: Quando comecei a trabalhar como monitor no Programa Acessa São Paulo, na segunda metade de 2006, tínhamos que registrar todos os dias a quantidade de acessos e impressões, marcar esses dados numa planilha e enviá-los toda semana para a gestão.

Fazer essas anotações numa folha de papel começou a ficar pouco prático, então construí uma planilha simples onde a cada acesso eu inseria dados. Outro problema que precisava ser solucionado era que muitas vezes a conexão caía e era necessário reiniciar as máquinas. Em algumas dessas vezes se reiniciava quando o usuário já tinha começado a usar, e era preciso iniciar um novo atendimento. Só que não tínhamos como saber quanto tempo faltava para o término do acesso, e isso causava alguns constrangimentos com quem estava aguardando na fila. Então aperfeiçoei a planilha para constar também a hora que o usuário tinha começado o acesso.

Depois de muitas alterações, no final de 2006 a planilha estava bem utilizável, então decidi compartilhar. Muitos monitores gostaram dessa planilha, então eu decidi mantê-la e atualizá-la sempre. Mas havia um problema. Se eu fosse atualizar essa planilha, como eu faria para que os outros monitores soubessem que há outra versão disponível? Avisar por e-mail não adiantaria, porque não sei quantas pessoas a estão utilizando. Como eu conhecia um pouco de PHP e MySQL, decidi que a melhor solução seria criar uma planilha online, onde eu saberia quem está utilizando o serviço e também iria garantir que ninguém perdesse uma atualização.

Sendo assim, comecei a desenvolver o SGA aproximadamente em março de 2007. Em 3 de setembro do mesmo ano comecei a usá-lo para gerenciar os atendimentos no Infocentro de Itaporanga. Funcionou e continuei a aperfeiçoá-lo. Quando achei que o sistema já estava bem maduro, convidei alguns monitores que já utilizavam a planilha para testar a novidade. De lá pra cá, eles gostaram, o projeto deu certo e estamos aqui!

AcessaSP: De que forma a Rede de Projetos foi importante na realização desse trabalho?

Alessandro: Eu não imaginava o SGA fazendo parte da Rede de Projetos. Ele é desenvolvido para facilitar a vida do monitor, enquanto que os outros projetos são todos direcionados aos usuários do Acessa SP. Tive receio de apresentá-lo por esse motivo. Durante o Campus Party, mostrei para o pessoal da Rede de Projetos como o projeto funcionava, e achamos interessante cadastrá-lo na Rede. De alguma forma, o desenvolvimento do SGA foi inspirado no espírito colaborativo da Rede de Projetos e no texto “A Catedral e o Bazar”, de Eric S. Raymond, que ganhei durante uma capacitação e modelou o processo como o SGA seria criado e atualizado.

AcessaSP: Como você o envolvimento da comunidade de monitores do Acessa SP nesse trabalho?

Alessandro: O projeto tem como premissa básica adaptar-se às necessidades dos usuários (no nosso caso, os monitores). Para tanto, ele tem anexado uma sala de bate-papo que é por onde eu recebo as sugestões. Também converso com alguns monitores pelo MSN Messenger ou pelo Google Talk.
Eles me dão idéias, eu analiso de que forma isso pode afetar o desempenho do sistema e, de acordo com as circunstâncias, faço a implementação. O monitor é a peça fundamental do projeto, é ele quem me diz do que está precisando, o que está faltando.

AcessaSP: Qual relação você entre o SGA e o Sistema de Cadastro oficial do Acessa?

Alessandro: Eu uso o sistema de cadastro porque ele é o oficial, é por ele que sou analisado. O SGA, eu sempre aviso, é um auxílio. O bom do SGA é que ele me mostra quais são os usuários do meu posto, e não dá uma visão geral. Então o sga me dá uma idéia de como está o andamento do infocentro porque a qualquer momento eu posso acessar o relatório e sei quantos atendimentos gerei.

A diferença desse relatório com o relatório oficial é mínima, se o prefeito me mandar um e-mail pedindo quantos acessos eu gerei essa semana, não preciso aguardar sair o relatório oficial, posso usar o sga porque seu eu utilizar direitinho os dois sistemas não vai haver diferença significativa nos númerosessa é uma opção que eu não tenho pelo sistema de cadastro, que convenhamos tem que ser simples porque são muitos monitores acessando.

AcessaSP: Qual o futuro para o SGA?

Alessandro: A partir da versão 2.0 que deve estar disponível em breve, acredito que poucas implementações serão feitas, mas isso é incerto porque sempre tem coisas novas a descobrir, a fazer. Tenho bastante expectativa de que alguém mais entre no projeto e ajude a construir melhor a interface. Também seria ótimo ter mais um programador para dar manutenção no código. Isso acontece porque desde o começo do projeto eu trabalhei sozinho, tendo uma única visão da coisa toda. Depois de algumas experiências pessoais, estou doido para trabalhar no SGA em equipe.

AcessaSP: Como a Rede de Projetos pode te ajudar a chegar nesse futuro?

Alessandro: Com o projeto disponível na Rede, fica mais fácil encontrar pessoal interessado. Sem o incentivo do pessoal na lista de discussão da Rede de Projetos, eu não estaria empenhado em divulgar o SGA.

AcessaSP: Quais as melhores lições que você aprendeu realizando esse projeto?

Alessandro: Em primeiro lugar, eu não me considero um programador profissional. Por causa disso, tenho uma certa timidez ao falar do SGA. Quando uma pessoa faz um curso profissionalizante que inclua programação, ela aprende, além da linguagem, a construir o projeto de uma forma mais organizada, usando modelos, fluxogramas, algoritmos, etc. O processo de produção fica uma boa parte sendo rabiscado no papel antes do desenvolvedor pôr a mão na massa. Eu nunca aprendi isso. Tenho a idéia na cabeça e a coloco direto no programa. Acho que por isso mesmo o SGA me deu bastante dor de cabeça: falta de planejamento.

Felizmente consegui me organizar observando o comportamento de outros programadores em algumas listas de discussão e tenho mais ou menos a idéia de como proceder daqui pra frente. Hoje eu me sento, vejo o que preciso fazer, escrevo algumas coisas no papel, desenho… Continuo sendo um amador, mas sei para onde estou indo e consigo identificar o melhor caminho para a solução.

Também percebi que existe uma grande diferença entre Acessibilidade e Usabilidade. Acho que o meu maior fracasso no SGA é o fato de ele não ser acessível por rodar em AJAX. E não é por luxo.

Como o Infocentro tem bastante movimento, às vezes o sistema ficava lento porque a cada troca de dados com o servidor, era necessário recarregar a página inteira. Para mim não tinha problema, mas comecei a imaginar isso acontecendo com vários monitores caso o SGA fosse popularizado.

Em Itaporanga eu tenho cerca de 5 a 6 requisições por minuto. Carregar uma página inteira a cada requisição não é o ideal nesse caso. Então comecei a estudar JavaScript (que eu não conhecia) e fiz enormes alterações no SGA para ele trabalhar de maneira assíncrona. Com isso eu sacrifiquei a Acessibilidade em nome de uma melhor Usabilidade do sistema.

Mas, como já disse anteriormente, eu sabia exatamente o que estava fazendo, e o SGA hoje tem capacidade para trabalhar sob uma interface acessível usando apenas XHTML para um monitor e ao mesmo tempo sob uma interface baseada em AJAX para outro. Ainda não tenho previsão, mas uma interface acessível está nos planos para tornar o SGA mais abrangente.

A minha base de conhecimento cresceu bastante. Não sou nenhum expert, mas sei muito mais agora do que sabia quando comecei o projeto. Todas aquelas madrugadas que passei buscando respostas para os problemas que se apresentavam, enfim, valeram a pena. O projeto me ensinou a ser mais curioso, mais persistente. E a nunca desistir.

AcessaSP: Que dicas você mandaria para os novos projetistas que estão chegando agora no Acessa SP?

Alessandro: Muitas vezes durante o desenvolvimento do projeto, fiquei “travado”. Criei situações das quais não conseguia sair. Por mais que tentasse, nada que eu fazia dava certo. Nessas horas eu fechava tudo e começava a fazer outra coisa. Lia notícias, achava algum joguinho on-line, tomava um café…

Quando a cabeça começa a pedir trégua, é sinal de que você está pensando demais naquilo. A melhor coisa a fazer é mudar um pouco de ambiente. Quando você menos perceber, a solução pinta em algum lugar do seu cérebro e você vai ficar com cara de besta se perguntando por quê não tinha pensado naquilo antes. Faça o que você tem de fazer, mas sempre se lembre que você, acima de tudo é um ser humano. Erre sempre e não desista nunca.

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