Desafio é capacitar professores e tornar o uso da tecnologia uma ferramenta para a educação no país.

Até 2010, as mais de 56 mil escolas públicas do Brasil estarão conectadas com banda larga para que a informática se torne uma ferramenta de apoio ao aprendizado de mais de 37 milhões de alunos que estudam nesses estabelecimentos. Pelo menos, esse é plano do governo federal. Porém, o grande desafio do País é ter professores capacitados para levar a tecnologia para a sala de aula.

Pelo projeto de inclusão digital na educação do governo federal celebrado com as concessionárias de telefonia fixa, 40% das 56,6 mil escolas públicas do País terão Internet rápida a partir deste ano. Uma parcela de 40% receberá acesso em 2009 e os 20% restantes até 2010. O programa atenderá 84% dos estudantes da rede de ensino público do Brasil.

Segundo especialistas, o sucesso desse programa dependerá de quanto os professores estarão preparados para lidar com as novas tecnologias que tendem a substituir a lousa tradicional. Eles afirmam que além da infra-estrutura é necessário investimentos maçiços em treinamento, uma vez que muitos educadores não têm computador em casa e nunca pilotaram esse tipo de máquina.

A responsabilidade de mudar esse panorama é do MEC (Ministério de Educação e Cultura), que anunciou que até o final de 2008 mais de 100 mil educadores de todo o Brasil estarão prontos para usar o computador como ferramenta de apoio em suas aulas. Eles passarão por um curso chamado “Introdução à Educação Digital”, que já começou em abril em alguns Estados do País e tem duração de 40 horas.

O curso ensina os professores a mexer com o computador, acessar Internet e também noções sobre aplicativos, como processador de texto, software de apresentação e sistema operacional. Eles terão também aula de mídia digital. Haverá um outro programa sobre “Tecnologia na Educação” com duração de 140 horas. Neste, a idéia é ensinar os educadores a planejar as aula utilizando as tecnologias.

A capacitação contará com aulas presenciais e online. Carlos Eduardo Bielschowsky, secretário da Seed (Secretaria Educação a Distância), informa que num primeiro momento, o treinamento será oferecido para professores de escolas públicas que tenham recebido laboratórios do ProInfo (Programa Nacional de Educação nas Escolas). Esses computadores levam diversos conteúdos e ferramentas de produtividade.

Aulas mais atrativas

Segundo Bielschowsky, cerca de 25 mil escolas das 56,6 mil de ensino básico do Brasil, que terão banda larga até 2010, já contam com laboratórios. Outras 30 mil receberão os equipamentos ainda este ano.

O secretário da Seed destaca que o objetivo da capacitação é fazer com o professor aprenda a dominar o PC, a câmara digital e outras ferramentas para que consigam elaborar aulas dinâmicas e com conteúdos mais ricos. Ele afirma que as novas tecnologias são recursos pedagógicas que podem auxiliar bastante os educadores, desde que eles saibam como usá-las.

“As aulas podem se tornar mais atrativas aos alunos e dar mais autonomia a eles”, acredita Bielschowsky, que imagina que os estudantes vão se interessar mais pelos assuntos e terão mais iniciativa nas pesquisas escolares. “O estudante pode pegar uma câmera digital e produzir conteúdo. É uma nova forma de participação nas aulas”, diz o secretário da Seed.

Além do curso de capacitação, a Seed/MEC vai colocar no ar o Portal do Professor, que oferecerá uma grande base de dados, reunindo diversos conteúdos, inclusive o da TV Escola. O site oferecerá sugestões de aulas de todas as disciplinas nas várias séries. Esse material poderá ser baixado e ajudará os educadores a montar no computador, por exemplo, uma aula de geografia com animação, vídeo e outros recursos, aposentando o quadro negro.

“Sabemos que essa iniciativa não vai resolver os problemas de educação no Brasil, mas ajudará a diminuir a defasagem do ensino. A informatização das escolas vai melhorar o aprendizado dos alunos”, acredita Bielschowsky.

Treinamento constante

Muitos professores têm medo do computador, mas com estímulo, essa situação pode mudar, acredita Silvana Contijo, presidente do projeto Planetapontocom, que oferece, em conjunto com a iniciativa privada, cursos a distância para professores da rede de ensino público.

A Planetapontocom já ministrou cursos de capacitação para 470 escolas públicas do Brasil e Silvana diz que é normal que o professor se assuste num primeiro momento com as novas tecnologias. “Mas alguns já estão se dando conta de que o modelo tradicional não está funcionando mais. Eles perdem tempo preparando aulas e poucos alunos prestam atenção”, constata ela.

Silvana diz que quando os educadores aprendem a usar os novos recursos percebem que podem tornar suas aulas interessantes e interagir mais com os alunos. “Os novos meios surgem para valorizar os professores e já refletem no aprendizado dos alunos em escolas onde atuamos”, garante a especialista.

Para Ana Cláudia Wingert, gerente de suporte técnico pedagógico da Positivo Informática, empresa que já implantou soluções informatizadas em cerca de 6,4 mil escolas públicas, a tecnologia pode ser uma grande aliada dos professores. Mas ela alerta que só tecnologia não faz milagre.

“Não é só ensinar a eles como apertar o botão. “O professor tem de saber como usar as ferramentas como apoio pedagógico e ser acompanhando após a capacitação. Não dá para deixá-los sozinhos. Depois do curso surgem muitas dúvidas e nossa experiência mostra que eles se sentem mais tranquilos quando há acompanhamento desse trabalho”, afirma a especialista.

Ana Cláudia reforça a necessidade de o professor ser treinado constantemente de acordo com a realidade de sua escola em razão de as cidades estarem em estágios diferentes de adoção das tecnologias. “Há município que nunca teve soluções tecnológicas e outros já adotaram a informática básica. É natural que alguns professores tenham mais dificuldade e até resistência para lidar com um novo modelo de ensinar”, diz a executiva da Positivo.

Há cidades como as de Campos do Jordão e Indaiatuba, no interior de São Paulo, que já estão adquirindo laptops educacionais para uso em sala de aula, depois de experiências com laboratórios de informática. Nessas duas cidades, a idéia é que cada aluno estude na classe de posse de um computador portátil, conectado com internet sem fio.

Indaiatuba, por exemplo, comprou 1.070 Classmate PC, notebook de baixo custo idealizado pela Intel para apoiar no aprendizado das crianças do ensino básico. Inicialmente, a tecnologia será testada em dez escolas das 61 municipais da cidade.

Ana Cláudia observa que tecnologia já está no dia-a-dia de muitas pessoas é que é preciso ganhar os professores das escolas públicas para que eles abracem a inclusão digital na educação e saibam como estrair os benefícios das novas ferramentas. Essa mudança pode ter reflexo nos boletins escolares.

Da WNews

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