(30/08/06) Na cidade de São Paulo, encontra-se a Associação de Deficientes Visuais e Amigos (Adeva), que trabalha para proporcionar ao deficiente visual a sua inclusão na sociedade e no mercado de trabalho. Em 2002, o programa de inclusão digital do Estado de São Paulo, o AcessaSP (em que atua o Lidec), por meio do governo estadual, firmou parceria com a associação e criou um posto de acesso à internet para os freqüentadores da mesma.

Mesmo antes dessa parceria, a Adeva já realizava cursos de computação aos usuários, porém o número vem aumentando após a chegada do AcessaSP. De acordo com o monitor comunitário da associação, Flávio Monteiro, “os usuários chegam leigos e querem logo saber de internet”. Porém, é necessária a realização de um curso, que começa pela digitação, passa pelo Windows, Word e só depois chega à internet. E não fica por aí, pois é possível cursar o Excel e até mesmo aprender linguagens de criação de páginas na internet, como HTML, entre outros.

A internet serve de grande auxílio aos deficientes, muitos fazem pesquisas, enviam currículos e têm acesso às notícias do dia. “Para mim, a internet é maravilhosa”, comenta Mariana Maester, deficiente visual e freqüentadora da Adeva. “Pelo computador, eu faço meus trabalhos de escola e pesquisas. Hoje chega a ser fundamental.”

A jovem, de 17 anos, foi perdendo a visão devido um problema da adolescência, e só voltou a utilizar o computador graças aos softwares voltados aos deficientes visuais: “No começo eu estranhei um pouco, mas é fácil”, continua.

A maioria dos sites não são de fácil acesso para esses usuários especiais. Certas ferramentas de criação utilizadas por alguns deles não permitem que os leitores de tela façam a síntese de voz. “Os que são criados em Flash são os piores, pois não conseguimos ver o que a animação está mostrando”, aponta Carlos Batista, instrutor de informática da Adeva e monitor do AcessaSP. Ele continua: “há a possibilidade de desenvolver páginas agradáveis e acessíveis, bastam pequenas atitudes como colocar textos descritivos em imagens”.

Ele diz que muitas vezes procura entrar em contato com sites de difícil acesso, como o da Nestlé, por exemplo, porém, nem sempre recebe resposta: “raramente acontece”, critica o instrutor. Uma possível solução seria o desenvolvimento de dois tipos de sites, um contendo as animações e tudo mais que se achasse necessário, e um outro site voltado aos deficientes visuais, dentro dos padrões de acessibilidade para os mesmos.

A internet pode ser um grande meio de informação aos deficientes visuais, se pequenas atitudes, como a citada por Carlos, fossem tomadas. Em nosso país existe uma Lei de Acessibilidade (nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000), que necessita de revisão, por não conter a questão do acesso à internet.

Contudo, sancionou-se no artigo 17º: “o Poder Público promoverá a eliminação de barreiras na comunicação e estabelecerá mecanismos e alternativas técnicas que tornem acessíveis os sistemas de comunicação e sinalização às pessoas portadoras de deficiência sensorial e com dificuldade de comunicação, para garantir-lhes o direito de acesso à informação, à comunicação, ao trabalho, à educação, ao transporte, à cultura, ao esporte e ao lazer”.

Entendendo a internet como um meio de comunicação, a barreira existente nela ainda não foi quebrada e está longe de ocorrer. O direito de acesso à informação, educação, cultura e lazer, que deveria ser garantido, não vem sendo cumprido, devido às dificuldades encontradas no acesso por usuários deficientes visuais.

Por Bruno Henrique de Castro, do Lidec Notícias.

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