Salve!

São 2 ou 3 semanas que não posto nada… engolido pelo tempo, engolido pelas coisas, engolido pela minha (des)organização.

Vai chegando a hora de passar o bastão para um novo “blogueiro de plantão”, ainda não será neste post minha despedida mas confesso que poderia ter escrito mais, provocado mais, falado mais. Ai caramba, acho que estou contaminado pelas rimas de “Epitáfio“, dos Titãs – para ser sincero, esta, definitivamente, não é a música que gosto dos Titãs mas… gosto é gosto.

Depois de esofagites, gastrites e outros “ites” que inventamos da vida moderna, procuro levantar a cabeça e respirar sobre esta névoa de poeira que está em nossa cidade no momento. Dos altos de viadutos, pontilhões, pontes e sacadas de prédios, vejo o manto cinza que recobre nossas cabeças.

Falando em cinza, me lembrei de uma banda chamada Astronautas – com a música “Cidade Cinza“.

Talvez eu esteja um pouco pessimista, talvez num certo torpor. Mas vamos em frente, nossas cidades estão aí, para serem vividas, serem curtidas, observadas e interferidas.

É extremamente difícil digerir o que acontece conosco no momento – o caos é importante, do caos (res)surgem boas idéias, porém, parece que caímos numa pasmaceira, numa mesmice. Tudo parece igual, nada mais embrulha o estômago além daquela coxinha velha da padaria. E um certo caos saiu de um controle que, na verdade, nunca existiu. E agora, literalmente, pagamos pelo ônus de. Vou parar para refletir sobre.

Independente de crenças, times de futebol, onde moramos, para onde vamos e quanto ganhamos, é necessário mudar. Falar menos e fazer mais. Fazer diferente. Um mínimo que seja, já tá bom, se puder fazer mais, bacana também. Mas fazer algo.

Ligar a TV, ligar o rádio, entrar na Internet e… tá lá tudo de novo, tudo igual como ontem, como semana passada. Caramba!

Sem moralismos, sem verdades ou mentiras mas… precisamos olhar o outro. Precisamos entender que o outro é também parte de cada um de nós. Dar um “bom dia”, “boa tarde”, pedir licença, dar licença, dar um sorriso, receber um sorriso, não jogar uma porcaria de papel de bala na rua, já é MUITO. MUITO. Acredite.

Para fechar este post meio “cinza” hoje, deixo aqui a letra de Paulo Miklos, vocalista dos Titãs – “A mesma praça”:

“Sou do chão negro asfalto da avenida São João.
Sob o escuro manto fumaça a sombra do Minhocão.
Sob o céu cinzento de São Paulo insano e mau.
Brasileiro cuspido dos canhões da Hungria cigano e bárbaro
Bastardo dos portugueses mouro feroz e bárbaro
Desorientado dos beijos de língua e lugares embaralhados
Que quando se beija não se ouve palavra

Da rua Apa quando desaba a Barra Funda dos prostíbulos
De toneladas de poeira e fuligem sobre a poesia
Judeu de disfarce católico ateu crente no candomblé
De todas as fugas e enfrentamentos continuo de pé
Aqui nesta esquina não se ouve nem pensamento

Entre as paradas militares nos meus dez anos de idade
A bola no alto da estátua da Marechal Deodoro
De quando meninos se encontravam na rua
E todo menino era menino de rua
E todo homem acreditava estar com um pé na lua

A minha nação gigante abandonada no berço
Com braços e pernas formigando sobre o próprio peso
Eu mesmo petrificado diante de tais edifícios
De volta a esta praça pra dar sombras aos mendigos
Dessa cidade que me deu nome e não me dá ouvidos.”

Que venha uma chuva para limpar nossas idéias, nossos olhares sobre as coisas e, sobretudo, sobre o outro.

Abraços positivos a todos!

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