de que, quando eu era adolescente, uma noite eu e minhas colegas fomos a um baile. Só que uma delas não tinha dinheiro para pagar a entrada, então nós combinamos o seguinte, que nós pediriamos um trocado para cada pessoa que passasse por ali para poder pagar a entrada desta nossa amiga.

A primeira a pedir seria a Eliane que não tinha a quantia desejada. Ao passar uma pessoa pela calçada ela se aproximou e começou a conversar com a pessoa, explicou o caso, e a pessoa, muito educada, lhe ajudou com uns trocados.

A próxima seria a Sandra, ela fez a mesma coisa e logo em seguida chegou com mais um troco, mas ainda não era suficiente. Aí, chegou a minha vez: eu estava morrendo de vergonha, eu nunca tinha pedido dinheiro para ninguém estranho nem por brincadeira, mas também não poderia falar que não ajudaria as minhas colegas porque nós já havíamos combinado de ajudar a Eliane, e aí fui eu.

Vinha uma pessoa passando, e eu, toda envergonhada, não tinha coragem de olhar direito para a cara da pessoa. Me aproximei e, com a cabeça baixa, fui logo falando: “por favor, senhor, eu e minhas amigas queríamos entrar naquele baile, mas uma delas não tem o dinheiro suficiente para a entrada, então eu vim até o senhor para pedir se poderia nos ajudar com algum trocado“.

O senhor foi logo respondendo: “minha filha, se eu tivesse algum trocado, eu seria a pessoa mais feliz neste mundo” e foi mexendo em um saco de lixo que estava nestas lixeiras comunitárias.

Aí que eu olhei para a cara do senhor e vi que ele era uma mendigo. Até hoje eu não me conformo de ter pedido dinheiro para um mendigo.

Autora: Maria Cristina Nobre dos Santos, 39 anos, de seu trabalho, na Vila Nova York, São Paulo – SP.

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