(22/02/07 – Estadão) O estudante Pedro Bergamo não se desconectou do Orkut e MSN ao sair de uma lan house; suas senhas poderiam ter sido trocadas. Acessar a internet em lan houses, cibercafés ou telecentros requer alguns cuidados.

Época de férias e uma multidão procura lan houses, cibercafés ou telecentros para acessar a internet longe de casa. A comodidade de usar a web nesses locais, contudo, pode custar caro para quem não toma cuidado.

Bandidos virtuais estão à espreita, loucos para aproveitar uma distração e dar um golpe. O estudante Pedro Augusto de Souza Bergamo, de 17 anos, poderia muito bem ter se tornado uma vítima dos larápios.

Para mostrar o perigo de usar a rede em espaços públicos, a reportagem visitou uma lan house bem fuleira no centro de São Paulo e outra ultramoderna na região dos Jardins, na zona sul. Nessa última, não deu pra descobrir os dados de nenhum usuário. Já na primeira, que cobra R$ 1 por meia hora, nem foi preciso fazer força.

Pedro havia acessado a web ali. Entrou no Orkut, leu e-mails e bateu papo no MSN. “Acabou o tempo sem eu perceber”, conta. Uma tela com o logotipo do estabelecimento surgiu no monitor. O estudante foi embora, certo de que o sistema tinha apagado seus dados. Estava enganado.

Por coincidência, a reportagem usou o mesmo PC logo depois de Pedro sair. E estava tudo exatamente do jeito que ele tinha deixado. O MSN continuava conectado, inclusive com uma janela de conversação aberta. Com um clique no mensageiro instantâneo dava para entrar na caixa postal de e-mails do rapaz. O navegador continuava aberto no Orkut, na página pessoal do estudante. Dava até pra ver os perfis e comunidades que tinha visitado minutos atrás.

“Agora vou fechar tudo antes de o tempo acabar”, garante.

Uma pessoa mal-intencionada poderia ter trocado todas as senhas em segundos. Não só isso. Conseguiria se passar por ele no MSN, no Orkut e no Hotmail e transformar a vida do estudante num inferno, criando intrigas com seus amigos virtuais ou manchando sua reputação. Também ganharia um bom dinheiro se usasse as três contas para disparar um monte de propagandas indesejadas – os insuportáveis spams – para milhares de internautas. Pedro aprendeu a lição e pode ficar tranqüilo – os rastros dele do PC da lan house foram eliminados pela equipe.

Se você bobear, pode não ter a mesma sorte. Mas não se estresse. Assim como não deixamos o estudante na mão, vamos mostrar quais são as precauções que você precisa tomar quando quiser acessar a web em uma lan house, em um cibercafé ou em um telecentro. Antes de mais nada, é preciso conhecer os seus inimigos.

Existem pelo menos cinco tipos bastante perigosos de criminosos virtuais que atuam em pontos públicos de acesso à internet – cada um com uma maneira diferente de agir.

O primeiro deles é o ladrão hi-tech. Esperto, quer roubar a senha da sua conta bancária de qualquer maneira. Para isso, costuma instalar programas espiões, os keyloggers, em computadores desprotegidos. Esses softwares registram tudo o que a pessoa digita no teclado. Os keyloggers também podem entrar em um PC quando um usuário descuidado clica em um e-mail contaminado que parece vir de um amigo ou uma empresa conhecida, o phishing scam.

O segundo “elemento” ameaçador, o pedófilo, costuma abusar de crianças e adolescentes. Geralmente discreto, usa o ambiente da lan house, cibercafé ou telecentro para fazer-se de “amigo” e se aproximar da vítima. Depois, aproveitando-se da ingenuidade infantil, marca encontros em outros lugares. Também pode vasculhar PCs públicos à procura de endereços de e-mail ou perfis de jovens em comunidades virtuais, deixados no micro por descuido.

O terceiro tipo de bandido é o spammer, aquele cara que ganha dinheiro principalmente lotando a caixa de e-mails dos outros com propagandas. Para ele começar a lucrar, basta que encontre endereços de correio eletrônico deixados nos micros. E isso é muito fácil quando o local não tem um bom sistema de segurança e o usuário não toma o cuidado de apagar seus rastros. Na lan house fuleira visitada pelo Link, bastaram alguns minutos em três PCs para encontrar os e-mails de seis pessoas.

O “engraçadinho” também integra o grupo de criminosos virtuais que ronda os centros públicos de acesso à rede. Gosta de pregar peças em usuários incautos, que, como o estudante Pedro, deixam abertas as contas de e-mail, não desconectam o mensageiro instantâneo e não clicam em “Sair” depois de acessar uma comunidade virtual. Em alguns casos, também pode instalar keyloggers nas máquinas para obter esses dados. Daí, finge ser a pessoa e causa desavenças com os contatos virtuais, entre outras traquinagens sem graça.

Último da lista, o fofoqueiro tem uma peculiaridade em relação aos seus colegas malfeitores: geralmente é uma pessoa conhecida, que não vai muito com a cara da vítima. Para espalhar boatos, tenta usar o mesmo micro de seu desafeto logo em seguida e, de olho em algum algum descuido, consegue descobrir e-mails pessoais comprometedores ou até conversas de chat mais picantes. Então, sai espalhando tudo por aí.

Um nível alto de segurança numa lan house, cibercafé ou telecentro pode reduzir muito a possibilidade de infratores agirem. Por isso, verifique se os micros do local têm antivírus e antispyware (software que elimina programinhas espiões) atualizados. Mais importante ainda: confira se o PC apaga os dados do usuário assim que termina o tempo de uso, ou se o micro faz isso toda vez que o usuário reiniciar a máquina. Além disso, tome alguns cuidados ao navegar, bater papo ou usar senhas (leia textos abaixo). Fique de olho aberto e, se notar qualquer atitude suspeita, denuncie.

Por Maurício Moraes e Silva, do Link Estadão

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