(03/04/07 – Artigo AcessaSP) Fala-se tanto em mundo virtual que as pessoas perdem a dimensão de que estamos falando de coisas reais. A interação na internet se dá entre pessoas, mediadas pelos computadores, conexões e softwares.

Nada acontece num passe de mágica, para tudo o que você puder obter na rede, tem uma mão humana por trás, programando, definindo, codificando. Se olharmos para a internet como uma extensão do mundo presencial e material, fica remos menos surpresos com histórias de golpes, histórias de difamação, perseguição e bombardeio de marketing.

Fora da internet, sempre ouvimos histórias de cartões clonados, maldades que inventam sobre colegas da escola, pessoas obcecadas que ficam atrás de alguém até conseguir uma brecha para paquera, propagandas sem fim que chegam em nossas casas pelo correio.

Os golpes na internet retomam estes temas, alguns buscam uma isca um pouquinho mais apetitosa, mas são fruto dos mesmos desejos, de gente mal intencionada, de lesar alguém.

Recentemente alguns blogueiros famosos dos Estados Unidos começaram a sofrer ameaças, que foram ficando sérias. Descobriram que, por trás de codinomes falsos, quem ameaçava sabia detalhes de sua vida e de sua família, e postava imagens aterrorizantes, cultivando o medo. A comunidade blogueira se organizou, em busca de debater estratégias para acabar com este tipo de assédio moral.

Outra história que impressiona são os grupos que surgiram no Orkut, fazendo pouco do crime de que foi vítima o menino João Hélio Fernandes, no Rio de Janeiro. Outros participantes das comunidades, revoltados com as postagens cínicas, travaram uma guerra interna para retirada dessas mensagens de humor negro, em nome do respeito à família e a memória do menino assassinado.

A internet possui uma dimensão que a diferencia das situações presenciais: a possibilidade de anonimato. Atrás dela, há quem se coloque covardemente, dando va zão a comportamentos que talvez hesitasse em liberar, se estivesse à vista de todos.

O único consolo, nessas situações, é perceber a organização dos demais internautas, que protestam e atuam para regular o ambiente virtual e impedir que ele se consolide como espaço da violência e da intimidação.

Por Lilian Starobinas, pesquisadora do Lidec – Escola do Futuro da USP

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