(18/05/07 – Artigo) Esta semana participei de um fórum de jovens sobre ética na internet. Era um grupo de participantes com 14 a 17 anos, alunos da 8a série até o 2o ano do Ensino Médio. Usuários freqüentes de internet.

A pergunta mais freqüente era: há ética na internet? E variamos de respostas que iam desde “quase nenhuma, pois a liberdade é enorme”, até “há ética sim, que depende da construção do conjunto de pessoas que interagem, e de cada pessoa individualmente”. Fiquei feliz pela riqueza das respostas, e de perceber que essas conversas podem ajudar a jogar mais luz nesse tema, ainda meio obscuro.

A sensação de muita liberdade na internet é um dos seus grandes atrativos. Mas liberdade do quê? De acessar qualquer conteúdo? De escrever o que quiser sobre qualquer tema, ou sobre qualquer pessoa? De entrar no computador do outro? De hackear a senha de programas proprietários? Para cada resposta a essas perguntas temos uma questão ética diferente, e nos colocamos defronte de questões educacionais, morais e legais.

Auto-regulação

Falar que a ética na internet é auto-regulada pelos grupos demonstra uma boa percepção sobre o funcionamento de alguns grupos na rede. Realmente, numa lista de discussão, se alguém começa a ser agressivo ou a falar coisas fora do tema, os outros participantes logo começam a reclamar.

Se alguém entra numa comunidade do orkut e começa a escrever barbaridades, há pessoas que se mobilizam para acabar com isso. Mas são muitos os espaços da rede, e nem sempre há grupos para manterem o nível do papo. Também não é suficiente o coletivo para evitar gente que se faz passar por outras pessoas para enganar, roubar, atrair para situações de violência.

A ética de nosso dia-a-dia vale para a internet também. Se roubar não pode aqui fora, também não pode na rede. O mesmo vale para difamar, mentir, agredir, etc.

Em alguns casos, o limite do que é ético está em debate – como no caso da propriedade intelectual, onde a idéia de copyleft, utilização permitida, sem pagamento de direitos autorais, vem ganhando terreno (saiba mais no texto do Portal AcessaSP sobre Creative Commons). De uma maneira geral, manter um comportamento ético já é uma grande contribuição para uma internet mais sadia.

Por Lilian Starobinas, pesquisadora da Escola do Futuro da USP

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