(04/05/07) A USP concederá 411 bolsas de R$ 250,00 aos melhores colocados na Fuvest que tenham cursado pelo menos os três anos do ensino médio em escolas públicas e pertencentes a famílias com renda de até um salário mínimo por pessoa. Elas serão distribuídas a partir da próxima semana e valerão por um ano. Em troca, na época de inscrição do vestibular, o estudante deverá voltar à sua escola de origem para divulgar o programa e o benefício.

A iniciativa pretende incentivar o aluno da escola pública a prestar o vestibular de ingresso à instituição. O vice-reitor da USP, Franco Maria Lajolo, explica que o objetivo é combater a auto-exclusão. “Muitas vezes esse aluno não tenta a Fuvest porque acha que não vai passar.”

O fato de haver sobra no número de isenções possíveis da taxa do vestibular leva a essa constatação. No ano passado, que o custo da inscrição era de R$ 100, sobraram 23 mil das 65 mil isenções oferecidas. Por conta disso, para o próximo período de inscrições, a instituição mudou o critério de limite de renda per capita familiar para isenção, que passou de 1 salário mínimo para 1,2.

A nova bolsa valerá apenas para o primeiro ano de graduação porque, segundo Lajolo, a partir do segundo ano o aluno pode concorrer a outras formas de auxílio financeiro, como bolsas de iniciação científica ou projetos de pesquisa. “Estamos preparando novas modalidades de apoio financeiro para os alunos, que além da condição socioeconômica terão como foco o mérito. Essas bolsas serão divulgadas assim que estiverem definidas”, avisa. Das 411 a serem concedidas agora, 180 serão financiadas com recursos da própria instituição. O restante é resultado de parceria assinada com o Banco Santander Banespa.

Divulgação nas escolas públicas – Lajolo informa que os beneficiados já foram identificados e serão comunicados nas suas unidades. Na ocasião, assumirão o compromisso de motivar os jovens do ensino médio da sua antiga escola a tentar a universidade pública. Há um cronograma elaborado para isso. Os bolsistas serão treinados e contarão com material de apoio preparado pela USP para desempenhar o papel de divulgador da universidade. É a primeira experiência de concessão de bolsas nessas condições. “Vamos avaliar, para ver como funciona. Mas achamos interessante a troca de experiência tanto que pensamos em convidar um colega de classe do bolsista para acompanhá-lo na sua ida à escola”, explica o vice-reitor.

Inclusão

O benefício faz parte do Inclusp, programa criado no fim do ano passado para melhorar o acesso dos alunos de escolas públicas à USP. É a segunda ação da iniciativa, que no primeiro momento concedeu bônus de 3% na nota da Fuvest para quem estudou os três anos do ensino médio em escolas públicas. Ainda não foi levantado o número exato de quantos alunos a mais da rede pública o programa conseguiu incluir em comparação com o ano anterior.

Os resultados do primeiro vestibular com o bônus, abrangendo todas as cinco chamadas, as desistências e os erros de inscrição, serão divulgados até o fim dessa semana pela universidade. Mas Lajolo estima que houve aumento importante, que deve chegar em 15% . “É um número significativo”, avalia.

Unesp e Unicamp também promovem inclusão

As outras duas universidades públicas estaduais, Unesp e Unicamp, também possuem iniciativas semelhantes. No dia 26, houve assinatura de parceria da Unesp com a Vunesp para a concessão de bolsas de estudo para 12 alunos da rede pública. Os estudantes contemplados participaram da 12ª edição do Programa para Inclusão dos Melhores Alunos da Escola Pública na Universidade. Foram os quatro primeiros no vestibular em cada uma das três áreas do conhecimento: biológicas, exatas e humanas.

O programa, realizado pela quarta vez, possibilitou a inscrição isenta de taxa de 21.580 candidatos no vestibular 2007. A Secretaria da Educação fornece à Unesp a relação de escolas públicas de todo o Estado com turmas do 3º ano do ensino médio. A partir dessa informação, são encaminhadas senhas que permitem a esses colégios inscreverem no programa os dois melhores alunos de cada sala do último ano.

A Unesp concede bolsas de apoio acadêmico e extensão I, no valor de R$ 200,00, a alunos dos cursos de graduação com dificuldade econômica. Há uma seleção que considera vários elementos para determinar o recebimento. A avaliação é realizada por assistentes sociais de cada unidade da universidade. Se aprovado, o bolsista também se compromete a cumprir atividades sob a orientação de um professor.

A Unicamp investe 13% de seus recursos de custeio em assistência estudantil (em torno de R$ 25 milhões por ano) para 17 mil alunos de graduação e 16 mil de pós-graduação. Grande parte desses recursos é aplicada por meio de bolsas, como as de iniciação científica, trabalho, pesquisa, alimentação e transporte, emergência e no programa de moradia-estudantil.

O Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social da Unicamp concede automaticamente a quem cursou todo o ensino médio na rede pública 30 pontos a mais na nota final da segunda fase. Desses, recebem 10 pontos a mais os autodeclarados negros, pardos e indígenas.

Simone de Marco
Da Agência Imprensa Oficial

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