Infra-estrutura ruim e violência atrapalham redução da exclusão digital no Brasil, mostra estudo

A infra-estrutura ruim e a violência nos bairros pobres do Brasil são dois dos principais obstáculos para reduzir a ampla exclusão digital existente no país, mostrou um estudo divulgado nesta terça-feira.

Nas áreas de alto poder aquisitivo, o uso de computadores em escolas e lares e os índices de acesso à internet estão em patamares semelhantes aos dos países mais avançados. Mas nas regiões pobres a ausência destes equipamentos mostra a desigualdade que reina no país, acrescentou o trabalho.

Divulgado nesta terça-feira em Brasília pela Rede de Informação Tecnológica Latino Americana (RITLA), o estudo “Lápis, borracha e teclado: Tecnologia da Informação na Educação no Brasil e na América Latina”, indicou que as escolas brasileiras estão reproduzindo a exclusão digital do País, um dos mais desiguais em distribuição de renda no mundo.

“Entre os estudantes repetem-se as mesmas fraturas geográficas, socio-econômicas e de cor que encontramos na população total”, disse Ben Sangari, presidente de Instituto Sangari de promoção de educação, um dos patrocinadores do trabalho.

“Os espaços que deveriam promover e democratizar o acesso às novas ferramentas tecnológicas acabam beneficiando grupos privilegiados.”
O estudo constatou que em Estados pobres do Brasil, como Alagoas, o acesso à internet de setores como a maioria da população negra é de 0,5% do total.

Em comparação, 77% da população branca do Distrito Federal, a região com mais alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, têm acesso à web. “A política de informatização das escolas foi pensada para democratizar e quebrar a exclusão, mas não está ocorrendo isso”, afirmou o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, autor do trabalho.

Waiselfisz recordou que a maioria dos bairros pobres não têm acesso à internet com banda larga e disse que entre as autoridades escolares domina o medo de colocar computadores à disposição dos alunos por causa de possíveis depredações.

“Nas periferias, problemas de rede elétrica e/ou de linhas de infra-estrutura de comunicações também limitam, muitas vezes, a instalação de computadores e/ou internet”, diz o trabalho.

Por Guido Nejamkis, da Reuters – Estadão.com.br

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