Órgão dedicado a crimes eletrônicos tem cerca de 270 casos computados apenas neste ano

Quando Daniela (nome fictício) abriu sua caixa de e-mail no dia 9 de março de 2006, teve uma surpresa. “Olá, Dani, meu nome é Cris, sei que você não me conhece (mais [sic” > o seu namorado me conhece… e como conhece) vim aqui te contar do meu 1º grande encontro com ele, na verdade não vou entrar em detalhes porque é um assunto pessoal a nós dois, se é que você me entende…”

Confusa, Daniela iniciou uma troca de e-mail com a tal remetente desconhecida que durou cerca de um mês. Nesse período, a moça deu sinais de saber não apenas o nome de Daniela, como também endereço da casa, do trabalho, telefones e informações familiares. As provocações evoluíram para ameaças “Vou te perseguir por muito tempo ainda… até conseguir o que quero”. Então, no dia 17 de abril, Daniela decidiu procurar a polícia.

Durante aquele um mês, além de enviar e-mails com ameaças e ofensas, a tal “Cris” também havia ligado para Daniela de um número restrito e havia deixado mensagens na página do Orkut da moça. “Ela também tentou cancelar meu e-mail e alterar minha senha”, contou ela aos policiais da 4ª Delegacia de Crimes cometidos por meios eletrônicos, do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime organizado).

Casos como o de Daniela correspondem à maior parte dos inquéritos que estão abertos hoje na delegacia. “Em uma estimativa de mil inquéritos que nós temos em andamento, 60% são de crimes contra a honra; 15% são casos de furto mediante fraude (que são casos de roubos em contas bancárias); 8% são de estelionato (como financiamentos e operações de compra e venda frios), e 3% correspondem a casos de pedofilia e pornografia infantil.”, afirma o delegado titular da Delegacia de Crimes Eletrônicos, Ubiracyr Pires. Os 14% restantes correspondem a crimes diversos, como sonegação fiscal, apologia ao crime e extorsão.

A delegacia, que foi implantada em 2001 e começou com o registro de cerca de 60 casos naquele ano, conta com mais de 270 apenas neste ano, que podem chegar por meio de boletim de ocorrência ou por meio de pedido do Ministério Público.

No caso de Daniela, a investigação, encerrada em julho de 2007, chegou a uma estudante universitária de 20 anos que enviava os e-mails por ciúme de um ex-namorado em comum. Como a estudante enviava a correspondência durante o horário do expediente, a empresa de recursos humanos onde ela estagiava também foi chamada para prestar declarações à polícia. Além do constrangimento profissional, a jovem também ficou sujeita a que o caso constasse em seu atestado de antecedente criminal, caso a vítima fizesse uma queixa-crime contra ela. Nesse caso, a moça ficaria impedida de ser contratada em concursos públicos, por exemplo.

“A gente pensa que está lidando com pessoas estudadas, mas na verdade as pessoas estão muito mal informadas. Elas não sabem que isso é proibido? Elas não têm noção do que pode acontecer?”, questiona o delegado Pires.

Por Bárbara Mayumi, da Secretaria da Segurança Pública, no Portal do Estado de São Paulo

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