Essa é uma história de amor cheia de mudanças. Quem passa em frente à Faculdade de Direito da USP, mais conhecida como Faculdade do Largo de São Francisco, e vê uma escultura de uma índia e um homem se beijando, não imagina como foi difícil que deixassem em paz o simpático casal.


Bem, a história dessa obra de arte é dividida em partes. Literalmente. Principalmente porque hoje o que conhecemos como “Beijo Eterno” ou “O idílio”, é na verdade parte de uma escultura maior, encomendada ao artista sueco William Zadig pelos estudantes da faculdade de Direito para homenagear o poeta Olavo Bilac. Depois de pronta, a escultura foi instalada em uma praça na avenida Paulista.

o idílio censuradoOs cidadãos odiaram a ?obra de arte?. Os mais exaltados escreviam para os jornais reclamando que a escultura atrapalhava o trânsito e dizendo que nunca tinham visto nada tão feio na cidade de São Paulo. Um leitor indignado foi mais longe e disse que a mão da estátua ? que representava o poeta Olavo Bilac ? parecia com ?um bico aberto de um pássaro? e que a estátua representado duas pessoas se beijando era um ?escândalo?.

Diante de tanta reclamação, em 1936 a prefeitura resolveu desmontar a escultura e guardar a parte ?escandalosa? ? a parte dos namorados ? em um depósito. Vinte anos depois, o prefeito Jânio Quadros, que gostava da escultura, resolveu colocar na rua novamente o casal de namorados, dessa vez em uma praça do bairro do Cambuci. E um novo escândalo aconteceu. Um morador que levava a sua filha para escola, ao se deparar com a escultura do casal apaixonado escreveu uma carta indignada para todos os jornais da cidade, dizendo que aquela imagem era um ataque à inocência de sua filha. Novamente o casal foi enviado para o depósito.

Dez anos depois, o prefeito Faria Lima resolveu aproveitar a inauguração dos jardins do túnel 9 de Julho e mandou colocar o casal de namorados para viver ali, em paz. Novamente a polêmica ressurgiu, dessa vez graças a um vereador que alegou que aquela escultura era ?obra do demônio, um verdadeiro escândalo?.

Cansados de tanta polêmica, os estudantes da Faculdade de Direito, que lá no começo da história tinham pago e encomendado a obra, resolveram cuidar do que era deles. Na calada da noite juntaram-se em bom número, ?seqüestraram? o casal do jardim do túnel 9 de Julho e a levaram para frente do prédio de Direito, no Lgo. São Francisco. Graças ao rapto, o casal pôde viver feliz para sempre. E sem mais mudanças de endereço.

Por Robson Leandro da Silva

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