Por Robson Leandro da Silva
Imagem: pixeljones (editada)

Normalmente quando convidamos amigos para sair hoje em dia, fazemos a seguinte pergunta: onde vai ser a balada? Ou ainda: Onde vamos nos divertir hoje. As opções são muitas. Existem danceterias, bares, restaurantes, cinemas, shoppings, parques, museus, enfim, uma enormidade de locais para serem visitados onde se pode aproveitar momentos de divertimentos e lazer.

Mas, como era se divertir na São Paulo dos séculos XVII e XIX? Certamente ainda não existia nada do que foi citado acima. Então, as pessoas viviam dentro de suas casa, tristes e desanimadas? Muito pelo contrário…

As pessoas que vivam em São Paulo naquela época eram extremamente festeiras e divertidas. Podiam ser sérias, sofridas e até sisudas, mas adoravam uma festa. Afinal de contas, assim como todo povo brasileiro, o paulistano era fruto da mistura de três raças, duas delas muito festeiras: o negro africano, o índio nativo e o branco europeu. O português, mesmo que um pouco mais sério, adora uma festa. São eles que trazem para o nosso país as tradições dos arraiais e das romarias.

Mas as duas ocasiões onde as pessoas realmente se divertiam eram, no mínimo curiosas: procissões e velórios. Isso mesmo, os enterros eram motivo de alegria na cidade.

Dois acontecimentos fúnebres comprovam essa teoria: o primeiro foi a morte de D. João V em 1750 e o segundo a morte de Dom José I, em 1777. Quando um imperador português falecia, eram realizadas as cerimônias de quebras dos escudos, que simbolizavam a passagem de poder. Eram verdadeiras festas de arromba, com muita música e diversão.

luminoso para casa de funeraisO velório de ricos e pobres enchia o bairro urbano e rural com muita música, danças da época e comida. Era um passeio a mais, principalmente para as mulheres que quase nunca saiam de casa e esperavam ansiosamente pelo velório de alguém para sair às ruas com a sua mantilha e os joelhos de fora.

Um detalhe interessante. Apesar de ainda não existir luz elétrica, os enterros eram todos noturnos. Dessa forma, podiam brilhar as velas compradas pela família do falecido especialmente para aquela ocasião.

A outra ”balada” eram as festas das igrejas. A música tocada ali pelos padres era um divertimento. Qualquer hino era cantado de forma empolgada por todos os presentes, embora no meio do século XVIII tenham tentado substituir as músicas por cânticos mais sérios e até os padres reclamaram.

O relato de uma católica inglesa que passava pela cidade naquela época mostra bem as diferenças das missas brasileiras para as missas de seu país. Ela ficou escandalizada e dizia não entender a alma dos latinos diante de tanta festa.

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