Pela primeira vez, o IBGE analisou a existência de políticas de inclusão digital nos municípios.

Segundo a Pesquisa de Informações Básicas Municipais de 2006 (Munic 2006), mais da metade dos municípios (52,9%) informou terem planos ou políticas de inclusão digital com a criação de telecentros e a promoção do acesso à internet.

A proporção das cidades que investem na inclusão digital, no entanto, são diferentes entre as regiões. Sul (59,4%), Sudeste (57,9%) e Centro-Oeste (52,6%) registraram números superiores aos do Nordeste (48,4%) e do Norte (35,6%).

Estatística e demográfa da Universidade de Brasília (UnB), Ana Maria Nogales acredita que a inclusão digital é um fator positivo, mas tem que ser promovida ao mesmo tempo em que o processo educativo. “Acredito que a inclusão digital deve se dar dentro da escola, com acesso à internet em bibliotecas e ligada a atividades de cultura e de lazer”, afirma.

Segundo o estudo, apesar de 85,2% dos 5.564 municípios do país terem investido na capacitação de professores em 2006, menos de um terço das prefeituras (27,5%) consideraram a contratação de professores uma das cinco prioridades na área educacional.

De acordo com a pesquisa, a baixa contratação e a estagnação nos salários e nos benefícios dos trabalhadores em educação contribuem para a falta de professores no ensino público brasileiro. Segundo a pesquisa, a alta média de idade e a grande diferença entre a saída e os novos ingressos de docentes no ensino público também podem estar relacionados à diminuição na contratação de professores.

Para Nogales, apesar do investimento na capacitação dos profissionais, é preciso melhorar vários outros indicadores em educação, como a universalização e a qualidade. “Os dados do IBGE mostram, em geral, que temos uma população em idade escolar com acesso educacional, mas a qualidade do ensino, medida pelo Ministério da Educação, mostra que estamos muito aquém do que poderíamos estar”, afirma.

O tema Educação aparece pela primeira vez na pesquisa sobre os municípios do IBGE. Segundo o órgão, a razão é a “crescente responsabilidade dos municípios, especificamente na gestão da educação infantil, fundamental e educação de jovens e adultos”.

Além da capacitação de professores, a pesquisa destaca dados positivos na educação. De acordo com o estudo, 60,3% dos municípios adotaram medidas para a redução da evasão escolar em 2006. Cerca de metade das prefeituras (50,5%), promove programas de assistência escolar – com ações de saúde, reforço à alimentação e fornecimento de material didático – e 48,8% têm ações de melhoria no transporte escolar.

Outro dado levantado pela pesquisa é que menos da metade dos municípios brasileiros tem sistema próprio de ensino e dependem do sistema de ensino dos estados para conseguirem oferecer educação. Os estados com maior número de cidades com ensino municipal próprio são o Rio de Janeiro (89,1%), Santa Catarina (79,2%), Maranhão (71,4%), Sergipe (68%) e Bahia (64,5%).

Ainda segundo a pesquisa, o gasto com educação é maior proporcionalmente na região Norte, cujos investimentos representam 28,9% dos gastos das prefeituras, seguida pelo Nordeste (27,1%), Sudeste (22%), Sul (15,9%) e Centro-Oeste (9,4%).

Em números absolutos, porém, os municípios do Sudeste concentraram 44,5% dos gastos com educação. Segundo a professora da UnB, esses dados precisam ser vistos com cuidado. “Além de ver quanto está sendo investido, temos de ver como está sendo esse investimento”, ponderou.

Da Agência Brasil, em INFO

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