O artigo desta semana mostra as diferenças de linguagem entre São Paulo no século XIX e a que é usada hoje em dia. A carga forte de religiosidade e algumas expressões diferentes são destaques.

Visitante:
”E aí, beleza? (abraçando o dono da casa) Como tá, certinho?”

Dono da casa:
”Tudo beleza… entra aí…”

Visitante avistando a mulher do dono da casa:
”E aí, fulana”

Mulher do dono da casa:
”Tudo bem, fulano, e você?”

Esse é mais ou menos o diálogo entre duas pessoas hoje em dia durante uma visita ou chegada de um parente em casa. Mas será que foi sempre assim?

Na São Paulo do século XIX, o diálogo era mais ou menos esse:

Visitante chegando na casa de alguém:
”Ó de casa!”

Respondia alguém:
”Apeie e chegue”

Quando entrava, a visita falava:
”Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Boa tarde! (já apertando as mãos).”

A resposta:
”Para sempre seja louvado! Nosso Senhor lhe dê boa tarde!”

Visitante:
”Como vai passando? Como passa a senhora dona Luísa?”

”Assim como Deus é servido! Dona Luísa (ou ‘nhá’ Luísa, pois o próprio marido não dispensava esse tratamento) vai indo meio ‘mofina’ com umas atividades do estômago.”

Já deu para imaginar que a dona Luísa andava com uma certa dor de barriga não é mesmo?

Fonte: Vida Cotidiana em São Paulo no século XIX, org. Carlos Eugênio Marcondes de Moura, editora Ateliê Editorial


Robson Leandro

Trabalha na Escola do Futuro da USP desde julho de 2006. Até maio de 2013 esteve no projeto Acessa SP passando pela Rede de Projetos, Formação (Programa de Capacitação Continuada) e pela coordenação do projeto. De 2013 até 2014 coordenou o ecossistema web da coordenadoria de juventude do estado de São Paulo. Retornou ao projeto Acessa SP em abril de 2015.

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