Por Robson Leandro da Silva
Ilustração Danielle Joanes

Normalmente quando chegam aos nove meses de gravidez, as mulheres começam a sentir as contrações e se preparam para o momento do parto. Na maioria dos casos vão para a maternidade onde, cercadas de equipamentos de alta tecnologia, podem ter o bebê com todo o conforto, apesar das dores. Mas como eram os partos na São Paulo do século XVI e XVII? Certamente, naquela época, não havia todos os recursos tecnológicos disponíveis como temos hoje em dia.

moça pronta para o partoAcontecia mais ou menos assim: quando a mulher começava a sentir as contrações, colocava-se rapidamente, ao seu lado ou acima dela, uma imagem de Nossa Senhora do Ó ou do Bom Parto. A futura mamãe era colocada agachada ou sentada para que as mulheres mais experientes cuidassem de lubrificar as suas partes íntimas com gordura vegetal, untando com gordura animal, algum tipo de óleo ou azeite.

Não havia anestesia como hoje em dia. Para que não sentisse a dor, dava-se goles de cachaça e de caldo de galinha com bastante canela, enquanto era confortada por mais algumas senhoras que a encorajavam para ser ?rija e varonil?, ou seja, corajosa para enfrentar as dores que viriam.

Em cima de seu ventre, colocavam diversos tipos de relíquias e cordões coloridos, que eram capazaes de, segundo o pensamento da época, assegurar um parto tranqüilo. No joelho esquerdo, amarravam uma pedra chamada ?monbaza?, que só era encontrada em Minas Gerais. O motivo de amarrar essa pedra era, segundo a crença, atrair a criança para fora da barriga da mãe.

Durante o trabalho de parto, eram realizadas preces para São Mamede, São Francisco e Santa Margarida, para que fosse afastado qualquer perigo que colocasse a vida do futuro bebê em risco. Ainda para afastar a dor do parto, era recomendado mastigar cebolas ou atar fígado cru de galinha recém abatida na coxa direita.

Para completar, quando a criança estava próxima de vir ao mundo, as mulheres gritavam fortemente à barriga para ajudar na saída do bebê. Depois de todo esse verdadeiro ritual, a criança vinha ao mundo saudada por gritos de dor da mãe e de felicidade das pessoas ao redor.

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