Por Robson Leandro da Silva
Ilustração de Danielle Joanes

Caipira“E aí caipira, tudo bem?”

“Epa, caipira não! Mais respeito…”

Experimente chamar alguém de caipira. Certamente a reação seria mais ou menos como a do diálogo acima. O termo “caipira” ganhou nas últimas décadas, significado de pessoa atrasada, sem ligação com os costumes da modernidade, preguiçoso, que só gosta de música sertaneja, que não fala corretamente (ou entorta) o “R” . Dificilmente alguém se autodenomina “caipira”.


Por incrível que pareça, a origem da marginalização do termo “caipira”, começou com um gênio de nossa cultura: Monteiro Lobato que, inconformado com o atraso do Brasil em relação a outras nações do mundo, culpava o espírito tranqüilo de quem morava no campo e acabou por retratá-las como pessoas preguiçosas, ignorantes, “sem higiene”, “feias”, e “anti-sociais”.

Em 1918 ele lançou um livro chamado “Urupês”, onde ele fazia todas as críticas possíveis ao homem do campo. Apesar de também ser um cidadão caipira, ele aplicou aos textos que escrevia o olhar daqueles que vivem na casa grande. Um trecho do primeiro número da revista reforça essas idéias: “Caboclo é o sombrio urupê… só ele não fala, não ri, não ama. Só ele, no meio de tanta vida, não vive.”

Quatro anos depois, o escritor lançou uma nova obra que marcou para sempre a figura dos caipiras: “Jeca Tatu”. Até hoje, em alguns lugares, pessoas que não se encaixam num determinado comportamento social são chamadas de “jecas”.

O que Monteiro Lobato não sabia e pouca gente sabe é que ser caipira é motivo de orgulho, pois praticamente traduz toda uma cultura interiorana que até hoje se mantém viva no interior de São Paulo. Prova disso são as festas juninas que invadem as chamadas cidades grandes no período de junho e julho, o que inclui a capital paulistana na lista. O interior, com sua gente de espírito trabalhador e que alimenta os grandes centros, ajuda a promover o desenvolvimento não só de São Paulo, mas de todo Brasil.

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