Por Robson Leandro da Silva
Ilustração Danielle joanes

Marinheiro tontoUma viagem de navio hoje em 2008 é muito disputada. Durante o verão, vários cruzeiros são realizados em transatlânticos moderníssimos que são verdadeiras cidades. Tem de tudo: desde lojas sofisticadas a restaurantes. Piscinas, teatro, palco para shows, suítes de luxo onde passageiros e tripulação (as pessoas que trabalham no navio), passam dias alegres e de descanso garantido.

E como era viajar de barco em 1500? Certamente era bem diferente…

A vida não era fácil. Os marinheiros vinham em condições precárias. Muitos morriam ao longo do caminho. A disputa de espaço não era apenas entre os homens. Os ratos, que eram centenas, circulavam livremente entre as dependências dos navios. As doenças eram muitas. A principal era conhecida como ´´mal das gengivas´´. Funcionava assim: alguns dias depois de estarem em alto mar, sem motivo aparente, as gengivas de alguns marinheiros começavam a inchar, cobrindo os dentes e em seguida apodrecer. O hálito era terrível. Já deu para adivinhar que era impossível mastigar, logo os coitados morriam de fome.

Não havia geladeira na época. Para poder ter comida fresca, os animais eram embarcados vivos para serem mortos ao longo do caminho fornecendo assim a alimentação dos tripulantes. Porém, a comida acabava logo na primeira semana e só sobravam biscoitos para se alimentar. Conhecidos como ´´biscoitos de regra´´, eles eram feitos basicamente de centeio e farinha de trigo e era o suficiente para não morrerem de fome.

Os armazéns das caravelas não primavam pela boa conservação. Fora os ratos já citados, outras pragas tomavam conta dos depósitos por conta da falta de higiene: diversos vermes, carunchos e, principalmente baratas. Os alimentos estragavam em questão de dias. Sem alternativa, os marinheiros se utilizavam de temperos fortes para disfarçar o gosto horrível da comida que já estava estragada. Até a água ficava, em poucos dias, cheia de parasitas.

A conseqüência eram diarréias e febres fortíssimas. Alguns tripulantes chegavam a enlouquecer com as dores e começavam a delirar, gritando pelo convés que estavam vendo criaturas que saiam do mar. Em muitos casos esses homens eram jogados no mar para evitar que aumentasse a perturbação da tripulação já abalada.

Os únicos que tinham direito a quarto e a condições melhores eram os capitães, os padres e o barbeiro. Sim, o barbeiro era considerado tão importante quanto o capitão. Ele era responsável por parte da higiene que era possível se fazer naquelas condições. Dentro de sua mala, ele levava tesouras, navalhas, espelhos, pedras para afiar, pentes, bacias de barbear e lavar. Fora uma pequena caixa de primeiros socorros com purgantes, águas destiladas, etc…

Diante de tudo isso, podemos considerar verdadeiros heróis todos aqueles marinheiros que conseguiram fazer as viagens daquela época e sobreviver a elas. Especialmente os que estiveram com Pedro Álvares Cabral durante a viagem que chegou ao Brasil em 22 de abril de 1500.

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