Por Robson Leandro da Silva
Ilustração Danielle Joanes

BanhoHoje, quando você quer um copo de água, abre a torneira do filtro e se serve. Para tomar banho, basta ir ao banheiro, ligar o chuveiro e aproveitar (com moderação, é claro). Apesar de, às vezes, o abastecimento ser interrompido por conta de algum racionamento ou manutenção do serviço de esgoto, houve um tempo em São Paulo que a água limpa era encontrada em pouquíssimos lugares. Banho então…


No século XVII havia água em grande quantidade. Só que ela não ia direto para a casa do habitantes da cidade. Para conseguir água, os moradores de São Paulo tinham que ir até a margem do rio Anhangabaú. Os mais ricos tinham poços construídos nos quintais de suas casas. Mas eram poucos… muito poucos. Outra alternativa era ir ao chafariz público, onde iam várias pessoas carregando vasilhas. Claro que essa era uma combinação explosiva que sempre terminava com os guardas da época separando as brigas.

Os padres franciscanos construíram o primeiro chafariz público da cidade. Essa ordem reliogiosa foi responsável pelo primeiro serviço de água potável e canalizada. A fonte era de pedra e ficava próxima ao rio Anhangabaú, mais ou menos onde fica hoje um terminal de ônibus na Praça das Bandeiras na capital do estado, ficando ali por quase duzentos anos quando foi destruído e os moradores da cidade passaram a utilizar uma outra fonte que foi construída dentro do mosteiro.

Outro chafariz famoso foi construído em 1792 no Largo da Misericórdia. Também construído em pedras, tinha quatro torneiras de bronze. Construída pelo pedreiro conhecido como negro Thebas, a população considerava o utensílio como uma verdadeira obra de arte. Mas a água que chegava não era suficiente porque o aqueduto vazava muito por quase toda a trajetória entre o rio e o chafariz.

Os chafarizes eram verdadeiros pontos de encontro. E dependendo do tipo de pessoa que o freqüentava, aumentava ou diminuía o valor dos terrenos próximos, como o caso de uma família muito rica que protestou contra a construção do chafariz do Largo da Misericórdia e se mudou porque naquele local começaram a chegar escravos, forasteiros com animais de carga.

Uma tentativa de resolver o problema foi feita no meio do século XIX. Surgiram nessa época os primeiros carros pipas chamados “aguadeiros”. Já deu para perceber que essa era uma atividade que rendia muito dinheiro. Principalmente para os comerciantes portugueses, maiores exploradores desse tipo de serviço. Um deles escreveu em uma carta: “A água é boa, o povo é burro, a água é deles e nós lha vendemos”.

E pra tomar banho? Bem, naqueles tempos haviam as “casas de banho”. As mais famosas eram a “Sereia Paulista” que alguns chamavam de “Sereia Paulistana” e a de um português chamado Luís Coscotino . Esses locais eram lugares no mínimo curiosos porque serviam também refeições. Isso mesmo. As pessoas iam tomar banho e aproveitavam para fazer uma refeição. Tudo a ver não é mesmo?

Fonte: Revista do Arquvio Histórico Municipal, número 203, 2004, páginas 37 a 42.

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