Dourado, adquiriu essa gentil denominação: “Cidade Coração”, de seus cidadãos e visitantes, não apenas por estar localizada no centro geográfico do Estado de São Paulo, mas principalmente pelo sentimento de amizade e respeito a todos que vivem ou passaram por esta pequena cidade e guardaram na lembrança essa sincera emoção. A cidade de Dourado marca com amor o coração – símbolo do sentimento mais nobre – de todos os seus visitantes.


Dos anos 70 aos anos 80 Dourado viveu uma época de saudosa lembrança. Quem morou ou conheceu esta cidade do interior paulista nesta época foi testemunha da amizade e da fraterna relação dos seus habitantes. Uma emoção indescritível que cada um, em seus sentimentos mais nostálgicos, poderia descrever para uma juventude sempre promissora.

Relatos marcantes que não poderiam deixar de serem citados: “O Footing”, quando os jovens circulavam em volta da praça da Igreja Matriz. Os moços todos conduziam-se em sentido anti-horário e todas as moças no sentido horário. Havia ainda um alto-falante acoplado perto do relógio da Igreja e um jovem que tocava, de dentro de uma sala da Igreja, músicas a todos os “enamorados”: MPB, Beatles, Bee Jees, ABBA, The Feevers, Jackson Five, Elton John, entre outros.

Marcante, então, era o oferecimento das músicas: “Esta música é oferecida de alguém para alguém, este alguém já sabe quem!”. Mantinha-se por regra que músicas nacionais eram tocadas até as 22 horas. Depois desse horário rolavam músicas internacionais. Havia um grande respeito às músicas da MPB e caipiras, mas o que o pessoal gostava mesmo era das internacionais, que faziam fluir o romantismo.

O pessoal se segurava até as 23 horas na paquera, sorrisos, recados, piscadas… Era o mundo da juventude da época. Depois todos se dirigiam à Discoteca do Sr. Pedro Leite, lendário entre estes jovens.

A Discoteca ficava próxima à praça, logo a esquina junto à lanchonete. Na portaria, a moça impedia o acesso a jovens menores de 16 anos de idade. Mas enquanto o “enamorado” ou a “enamorada” não tivesse entrado ficava a ansiedade.

Dentro do salão da discoteca, as mesas enfileiradas nas laterais davam espaço à pista de dança, onde no alto um globo brilhante refletia luzes coloridas por todos os lados. Juntamente com os trajes, calças bocas de sino, cintos de couro largos, camisas de manga longa, criava-se a idéia do filme de John Travolta, “Os Embalos de Sábado à Noite”.

Quando havia baile marcado no “Dourado Clube”, a discoteca ficava vazia. O pessoal ficava disperso, esperando para o próximo final de semana. O que eles mais queriam mesmo era o movimento da Discoteca. Outros ainda mantinham-se na “Lanchonete Babaloo”, por não gostarem de participar do “footing” ou porque o seu par não estava presente.

As bebidas da época faziam um sucesso total. Hi-Fi, Cuba-Libre, doses de Cherry ou Menta, caipirinha e cerveja estavam sempre presentes entre o bate-papo nas mesas.

E quando rolava de vez em quando os bailinhos caseiros com a famosa “Vitrola Sonata” com os discos de vinil. “Era um fervo só”…

Tudo acontecia em perfeito respeito e uma amizade sincera, num ambiente saudável que deixa lembranças num momento épico da saudosa “cidade coração”.

Texto do monitor do AcessaSP de Dourado, Fernando Varella. Ele mantém um blog sobre Dourado.

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