Movimento “hacking de hardware” estimula usuários a montarem seus próprios equipamentos

São Paulo, 28 de julho de 2008 – “Se você não pode abrir, então não é seu” — este é o lema de um movimento que vem ressurgindo nos EUA, o “faça você mesmo”. Esse pessoal está descobrindo o prazer de mexer em eletrônicos, carros e aparelhos, muitas vezes conseguindo resultados muito além dos sonhos de qualquer fabricante de produtos prontos. E melhor: produtos com a sua cara.

O movimento também é conhecido como “hacking de hardware”. O hacker mais conhecido é aquele que mexe com sistemas e programas, ou seja, o “hacker de software.” Mas se é possível alterar o software para que ele faça o que a gente quer, o que impede de fazer o mesmo com a parte física das coisas? Pois é, nada.

Dale Dougherty, editor chefe e fundador da revista americana Make (“Fazer”, em inglês) explica em um documentário a importância da Internet nesse ressurgimento do interesse em “Faça você mesmo” (em inglês “Do It Yourself” ou simplesmente DIY).

Comunidade

“O DIY é muito baseado em informações que passam de pessoa para pessoa. Há 30 anos, a gente estava limitado aos nossos vizinhos e amigos, mas, hoje em dia, existe toda essa comunidade online, gente do mundo inteiro trocando informações,” explica.

A maior parte dessa comunidade usa sites e fóruns em inglês, mas já é possível encontrar gente no Brasil criando seus próprios equipamentos e discutindo métodos e dicas em fóruns.

É o caso, por exemplo, do site Projeto DIY
,mantido por Jânio Ribeiro e Rogers Pereira, que inventaram um projetor de vídeo acessível, que pode ser montado com peças fáceis de comprar em qualquer lugar.

“Não tem preço ver algo que você construiu funcionando e gerando uma imagem. E mostrar isso para aquelas pessoas que duvidaram do projeto então, é mais legal ainda,” diverte-se Jânio em uma apresentação na Campus Party em maio deste ano.

“Tem muita gente que agüenta a família, ou a esposa, falando que não vai funcionar, que é maluquice, e quando eles mostram o projetor todo mundo fica de boca aberta e se reúne para assistir a filmes.”

O projetor DIY é mais barato do que um modelo comercial e usa uma lâmpada que dura mais do que o equipamento tradicional. Mas Jânio faz questão de lembrar que o equipamento tem que ser montado por prazer.

“O objetivo principal não é economizar, porque é preciso paciência para fazer todos os testes e ajustes no projetor. Mas depois disso tudo, vem a satisfação de fazer algo que funciona.”

Dia-a-dia facilitado

O jornalista americano Clive Thompson acredita que a nossa distância das ferramentas está nos tornando menos capazes de resolver problemas do dia a dia. “Se você não consegue olhar dentro dos aparelhos que você compra, fica mais fácil de cair no marketing das empresas que os vendem. Quando uma coisa quebra, você simplesmente a joga fora e compra outra,” explica o jornalista em sua coluna na revista Wired.

Como se pode ver, existe toda uma filosofia zen e de anti-consumismo por trás do movimento. O objetivo é deixar de ser um consumidor passivo, que não apenas compra coisa, usa e joga fora, mas que pensa e age também.

Do UOL Tecnologia

Compartilhe!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Current month ye@r day *