“O Café para a Estação”, Antonio Ferrigno, 1903
Além de trabalharem como escravos na época do Brasil colônia, a população negra produziu grande parte do café em São Paulo, produto que consolidou a industrialização do Estado. Os negros também implantaram a estrada de ferro no Interior paulista

Falar sobre a contribuição dos negros para o crescimento de São Paulo exige um mergulho na história do Brasil. Vindos para cá como escravos, em 1.530, eles permaneceram nesta situação até 1.888, quando ocorreu a abolição da escravatura, ou seja, ficaram nesta condição durante 358 anos.

Trabalharam intensamente na produção de cana-de-açúcar, que na passagem do século XVIII para o XIX foi substituída pelas plantações do café. A força escrava também foi usada para a extração de ouro e diamantes nas regiões de Goiás, Mato Grosso e em Minas Gerais, na época do Brasil Colonial, e em diversas outras áreas. Durante três séculos e meio, a população negra não só ajudou a construir o Brasil, como fincou os alicerces econômicos para a industrialização, sobretudo no Estado de São Paulo, cujo grande impulso industrial ocorreu com a produção e comercialização do café, que ajudaram o Estado a acumular um grande volume de capital, principalmente no Vale do Paraíba.

Nos séculos XIX e XX São Paulo torna-se o maior produtor de café do mundo, o que ajuda a equilibrar a balança comercial brasileira durante muito tempo. “O capital usado para construir as indústrias veio do café, que foi plantado e colhido pelos braços dos escravos negros. Nos últimos anos da escravidão, a população negra trabalhava em semanas inteiras, sem sábados e sem domingos, chegando a 16 horas por dia no Vale do Paraíba. Os barões do café faziam isto porque sabiam que a escravidão estava com os anos contados, por isso maximizavam a produção, às custas do árduo trabalho escravo. Quando os imigrantes aqui chegaram, principalmente os italianos, já encontraram tudo consolidado”, conta o professor universitário Hélio Santos, mestre em Finanças e doutor em Administração pela Faculdade e Economia da USP, também autor do livro “A Busca de Um Caminho para o Brasil”.

Todos os imigrantes que começaram a chegar no País em meados do século XIX contribuíram para o crescimento de São Paulo “mas os negros foram os que colaboraram durante mais tempo, sem nada receber. E os italianos, quando os substituem nas lavouras, passam a ser assalariados”. Somando-se a isso, o processo de imigração tinha também um cunho de branqueamento da população brasileira. A ideologia dominante da época acreditava que o desenvolvimento e modernização da sociedade seria produto do crescimento da população branca em detrimento dos negros e índios.

Em 1824, dois anos após a Proclamação da Independência, na cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, os alemães tiveram direito às terras e exigiram que nas escolas se continuasse a ensinar o alemão. “Para o Brasil foi fundamental a vinda dos alemães. Olha a riqueza que há lá”, atenta Santos, observando que o Estado tirou dinheiro do orçamento e investiu nessa colônia. “No passado, houve políticas que beneficiaram grupos étnicos que não eram negros. Eram italianos, japoneses, alemães, suíços. É por isso que, em grande parte, os descendentes destes grupos hoje estão bem. Pois a situação de quem veio como imigrante é totalmente diferente daquele que veio escravizada. Esta visível e gritante desigualdade contribui para que tenhamos dois brasis”, afirma Hélio Santos.

Texto do Portal do Governo do Estado

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