Estudantes sendo presos no congresso
Foto: Carlos Namba/Veja

O município de Ibiúna é um dos 29 do estado de São Paulo a ostentar o título de estância turística, por suas belezas naturais como rios, cachoeiras e o Parque Estadual de Jurupará. A cidade também é conhecida por ter recebido imigrantes portugueses, italianos, árabes e japoneses. Porém, foi ao abrigar o congresso clandestino da UNE, em 1968, que a cidade ficou marcada na história política do país.

Em 1º de abril de 1964 os militares tiraram do poder o então presidente João Goulart, dando o golpe que acabaria com a democracia no Brasil pelos próximos 20 anos. Por todo o país, estudantes se organizaram para lutar contra o governo ditatorial. Muitos foram presos, torturados e mortos.

Em 28 de março de 1968, foi assassinado o estudante Edson Luís Lima Souto, durante uma manifestação contra o fechamento do restaurante Calabouço, que oferecia refeições baratas para estudantes de baixa renda no Rio de Janeiro. No dia seguinte, cerca de 50 mil pessoas participaram do cortejo fúnebre, carregando faixas onde se lia “Mataram um estudante, podia ser seu filho!”.

Neste mesmo ano, em outubro, seria realizado o 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes em Ibiúna. A entidade teve sua sede incendiada e foi colocada na clandestinidade pela Lei Suplicy de Lacerda logo no ano de instauração do regime militar. Mesmo assim, seguiu organizando greves estudantis.

Para o congresso, as caravanas de estudantes vinham de todos os estados do Brasil, rumo ao sítio Murundu, no bairro dos Alves, a uns vinte quilômetros do centro de Ibiúna pela estrada de São Sebastião. Reuniram-se no sítio cerca de mil estudantes. Toda essa movimentação logo chamou a atenção da população local. Comerciantes ficaram alarmados com o fluxo de jovens cabeludos e barbudos comprando artigos de higiene e comida em grandes quantidades.

Numa manhã de sábado, 12 de outubro, dia em que o congresso teria início, os estudantes acordaram cercados pela polícia. Foram todos presos, numa operação gigantesca, que reuniu mais de 200 policiais do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social, órgão de repressão do regime militar) e da Força Pública. As principais lideranças do movimento estudantil foram para a cadeia.

Por todo o movimento de resistência à ditadura correu a notícia: “Ibiúna caiu” (“cair” era a gíria para ser preso). No dia seguinte, o fato era manchete nos principais jornais do país. E assim, Ibiúna entrou para a história da luta pela democracia no Brasil.

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