Quilombo Nhunguara – Município de Eldorado

O município de Eldorado fica no Vale do Ribeira, região sul do Estado de São Paulo, onde está a maior vegetação remanescente da Mata Atlântica do país. Em meio a sua beleza natural exuberante, que lhe rendeu em 2005 o título de Estância Turística, seis comunidades de homens e mulheres descendentes de ex-escravos fugidos ou libertos preservam a cultura negra e lutam pelo reconhecimento de seus direitos.


No Estado de São Paulo existem mais de 80 comunidades remanescentes de quilombos, de acordo a Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas de São Paulo. Destas, cerca de 30 estão localizadas ao longo do Vale do Rio Ribeira do Iguape. Em Eldorado, são seis: São Pedro, Ivapurunduva, Nhunguara, André Lopes, Sapatu e Galvão.

Os escravos passaram a ocupar a região principalmente ao longo do século XVIII, a maioria deles fugidos da mineração de ouro, atividade econômica que deu o nome ao município. Segundo informações da Comissão Pró-Índio de São Paulo, os escravos fugitivos chegavam à região, se casavam com mulheres locais e se fixavam em terras próximas, tornando-se pequenos agricultores. Tinham muitos filhos, que também se casavam e se espalhavam pela área. Assim, muitos dos habitantes das diversas comunidades quilombolas da região têm uma descendência familiar comum.

Apesar do grande número de comunidades quilombolas no Estado de São Paulo, apenas cinco têm hoje o reconhecimento de seus direitos pelas terras em que moram e em que moraram seus ancestrais.

Os quilombolas do Vale do Ribeira foram os primeiros em São Paulo a se organizar para reivindicar seus direitos territoriais, no início da década de 1990. Em 2001 o governo do Estado entregou os títulos de propriedade para as comunidades de Maria Rosa, Pilões e São Pedro. Em 2003, foram tituladas as terras das comunidades de Ivaporunduva e Pedro Cubas. As demais comunidades seguem reivindicando a regularização dos territórios tradicionais.

Como seus antepassados, que lutaram pela liberdade, a vida dos quilombolas de hoje em dia também é de muita luta. Além da questão territorial, os moradores das comunidades negras batalham para manter seu modo de vida tradicional. Os quilombolas realizam atividades agrícolas e extrativas principalmente para subsistência. A agricultura é realizada num sistema chamado coivara, regime que necessita de rotação intensa de terras. Essa rotação foi limitada a partir da década de 1950 em função da instalação de unidades de conservação ambiental na região. A partir da década de 1990 essa situação começou a se reverter através da organização e luta dos quilombolas, que conquistaram o reconhecimento da importância de se preservar esses modos de vida tradicionais.

Outra briga das populações remanescentes de quilombos, desde o fim da década de 1980, é contra a construção de barragens no Rio Ribeira do Iguape. O estudo de inventário hidroelétrico da Bacia do Ribeira prevê a construção de quatro hidroelétricas: Tijuco Alto, Funil, Itaoca e Batatal. A primeira hidroelétrica a ser construída seria Tijuco Alto, mas os quilombolas se uniram a outras comunidades da região e a organizações não-governamentais e criaram o Movimento dos Ameaçados por Barragens (MOAB). Após 14 anos de luta, em 2003 o Ibama indeferiu o pedido de licenciamento ambiental do empreendimento da barragem.

Graças a esse histórico de lutas, Eldorado e os demais municípios do Vale do Ribeira que abrigam comunidades quilombolas preservam um patrimônio vivo da cultura brasileira.

[Com informações da Comissão Pró-ìndio de São Paulo, da CPRM e da Agência Brasil” >

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