que era uma criança muito pobre e quase não tinha nada em casa. Meus pais apesar de serem trabalhadores não davam conta de sustentar a casa, principalmente quando meu pai perdeu sua propriedade e teve que trabalhar como diarista.

Eu tinha e tenho uma tia muito especial. Ela se chama Rosa de Moraes Justo Sillex, e ainda mora no bairro da Palestina. Essa tia quase também não tinha nada para comer, mas o pouco que tinha dividia entre os cinco filhos dela e eu. Se fosse um simples ovo, era dividido em seis partes, a alimentação era a basa de caldo de feijão, farinha, folhas, sal, banha de animal, alho. Arroz era “mistura”, carne quase nunca comíamos, exceto quando nossos pais caçavam um bicho… Café era milho torrado e transformado em pó, que era adoçado com caldo de cana. Não conhecíamos comidas como pizza, hamburguer, cachorro quente, refrigerante, etc. Tudo ia para casa num saco alvo que os nossos pais podiam carregar e tinha que dar para um mês… Passávamos muita fome…

Mas a tia Rosa sempre dava um jeito de melhorar as coisas e, por incrível que pareça, podia ser uma farofa de caruru, taioba, cagago, ou outras folhas, ficava uma delicia quando tinha as mãos e o amor da tia. Às vezes hoje ainda vou à casa dela para comer aquele caldão e matar a saudade. Moramos perto atualmente, pois voltei para a minha cidade por conta de um ingresso na Educação…

E eu ainda me lembro, que um dia a minha mãe ganhou uns gomos de linguiças de um tio avô (Lamartino), mas quando chegamos em casa, ela escondeu os pedaços melhores e deu os piores pedaços para tia. Sofri muito, mas nada pude fazer. Mas a tia ficou tão feliz com aqueles pedaços de gomos mofados, que fez um banquete naquele dia, acredite se quiser!!! Mas os pedaços que foram parar na mesa dela tinham muito mais sabor do que aqueles que minha mãe preparou em casa.

Escrevi tudo isso só para dizer que as coisas boas não estão envoltas em rótulos, marcas e valores materiais. As coisas boas estão em nossos corações, estão em tudo aquilo que lembramos com doçura e saudade… Tia Rosa, eu te amo e agradeço a Deus por ainda tê-la aqui comigo.

Autora: Ana, 43 anos, Juquitiba-SP

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