das manhãs de domingo na minha infância: não havia correntes capaz de prender-me na cama.

Mãezinha ainda dormia. Apesar de toda minha alegria, me continha para não acordá-la. Com muito cuidado deslocava-me de um cômodo ao outro: quarto, banheiro; banheiro, quarto; quarto, cozinha; cozinha, varanda. Quintal.

Abria o cadeado, o portão, rua.

Sentado, correndo, pulando, gritando… A alegria era feita desses momentos. Por vezes caía, chorava. Logo já estava pronto para mais um tombo.

Lá, naquela ruazinha, mesclava-se negro com moreno, com branco… Há quem gostava de empinar pipa, jogar bolinhas de gude. Há quem gostava de pular elástico.

Lembro-me daquele dia: num domingo, como todos os outros, ao toque de recolher – o meu geralmente era um grito vindo lá de casa – hesitei, às pressas. Ao entrar em casa, como de costume, lavei minhas mãos e sentei-me à mesa. Estava faminto, meu corpo já ansiava pelas suas energias.

Ao ver mãezinha, percebi que estava chorando. Não disse nada. Fiquei ali, quieto. Enquanto me servia, uma lágrima de seus olhos caiu sobre meu prato.

Foi nesse dia que senti o amargo gosto de sua tristeza.

Autor: Diogo Rodrigues, 21 anos

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