A partir do novo contrato, o governo quer ampliar o número de links de acesso à rede; expansão também passará pelos locais de acesso gratuito à internet

O governo de São Paulo divulga nos próximos dias o edital para a contratação do um fornecedor para a sua rede de internet. Trata-se de um contrato de porte, que deve movimentar a disputa entre as operadoras de telecomunicações.

Conhecida como Intragov, a rede é usada pelo governo paulista para a transmissão de dados, voz e vídeo entre todos os órgãos públicos do Estado. É a partir dessa estrutura que a internet chega a escolas, delegacias, unidades do Poupatempo, penitenciárias, hospitais, postos de saúde, fóruns de Justiça, estações de metrô, CPTM, prefeituras, entre outros.

O contrato atual, firmado em 2005, está nas mãos da Telefônica. Com extensão de cinco anos, o acordo com a operadora só vencerá em dezembro do ano que vem. A escolha de um novo – ou do mesmo – fornecedor, porém, precisa ser feita agora, para que eventuais migrações de sistemas e adaptações sejam realizadas ao longo do ano que vem.

Sidney Beraldo, secretário de Gestão Pública do Estado, prefere não fazer previsões sobre o valor do contrato, mas afirma que o projeto prevê expansão de infraestrutura e serviços da rede. Em 2005, a estimativa inicial do governo era de gastar R$ 841 milhões com o fornecedor da Intragov. Uma disputa de 11 horas entre a Embratel e a Telefônica resultou em contrato final de R$ 245 milhões.

O novo edital, elaborado pela Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) prevê uma nova contratação para mais cinco anos, de 2011 a 2015. O pregão, segundo Beraldo, ocorrerá ainda neste ano.

A nova licitação prevê que o gerenciamento da rede continue sob responsabilidade da operadora que vencer a disputa, não importando se a prestação de serviços será feita por rede de cabo, fibra óptica, satélite ou de telefonia celular. A partir do novo contrato, o governo quer ampliar o número de links (locais de conexão ao sistema) de acesso à rede, além de sua velocidade de conexão. “Hoje temos uma rede que cobre 14 mil links, mas a meta é alcançar 17 mil até 2011 e 20 mil links até 2013.”

A expansão também passará pelos locais de acesso gratuito à internet. O plano é dobrar a quantidade de links, passando para dois mil acessos.

Outra mudança do contrato prevê a instalação de uma unidade de serviços da operadora dentro da unidade da Prodesp, em Taboão da Serra. “Isso vai trazer uma interação direta entre as equipes que fazem o monitoramento da rede, que terão mais agilidade para resolver problemas eventuais”, de acordo com o secretário Beraldo.

Hoje, toda a infraestrutura de tecnologia da informação (TI) do governo de São Paulo está montada nas instalações da Prodesp. Ali, quatro supercomputadores (mainframes) e mais de mil servidores realizam cerca de 3,7 milhões de transações por hora.

No data center estão conectadas cerca de 5,5 mil escolas da rede estadual, 14 postos fixos e sete móveis do Poupatempo e mais de 450 postos do Acessa São Paulo, entre outras unidades do governo estadual e prefeituras. Ali também são armazenados os licenciamentos de veículos e pagamentos de IPVA. Só no ano passado, as consultas ao banco de dados desses serviços somaram 67,5 milhões der transações.

Com 1,9 mil funcionários, a Prodesp completará 40 anos de atividade daqui a dois meses. Segundo Mário Bandeira, que assumiu o cargo de diretor-presidente da Prodesp há três meses, uma das metas da empresa pública é ampliar sua área interna de desenvolvimento e integração de sistemas, além dos serviços mais comuns como assessoria técnica, consultoria e gestão de rede, entre outros. No ano passado, a receita líquida da Prodesp atingiu R$ 395,3 milhões, ante R$ 364,8 milhões contabilizados em 2007. O lucro líquido foi de R$ 34,5 milhões, ante R$ 37,5 milhões do ano anterior.

Atendimento público será monitorado
Um novo software desenvolvido pela Prodesp promete dar voz ao cidadão que hoje, quando é bem ou mal atendido em postos públicos, não tem a menor chance de dizer se gostou ou não da qualidade do serviço que ele próprio pagou para ter.

Batizado de “Projeto Sintonia”, o sistema começou a ser testado na unidade Sé do Poupatempo, principal centro de prestação de serviços ao cidadão do Estado. Por meio de um pequeno teclado instalado na mesa do atendente, o usuário dá uma nota ao serviço que foi prestado. Essa informação é encaminhada em tempo real a uma central de comando, que pode monitorar a qualidade do atendimento e o desempenho individual do funcionário público.

“A votação feita pelo cidadão vai permitir que o gestor do serviço possa identificar eventuais problemas e tomar decisões”, comenta Mário Bandeira, diretor-presidente da Prodesp.

Por enquanto, os únicos serviços analisados são os de emissão de Registro Geral (RG) e de habilitação (CNH) – cerca 500 tipos de serviços são oferecidos no Poupatempo. Nos próximos meses, diz Bandeira, o sistema deverá chegar a outros serviços e será espalhado nas 21 unidades do Poupatempo, locais que realizam uma média de 95 mil atendimentos diários.

Segundo Sidney Beraldo, secretário de Gestão Pública do Estado, a intenção é fazer com que o software também seja estendido a delegacias, postos de saúde e hospitais.

Do Valor Econômico

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