Aparelho é portátil e serve para identificar cores de objetos e notas de dinheiro

Um identificador de cores para deficientes visuais, desenvolvido por pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), é finalista da competição internacional Unreasonable Finalists Marketplace. Batizado de Auire, o aparelho é portátil e serve para identificar cores de objetos e notas de dinheiro. Por meio de leitura óptica, o Auire literalmente “fala” o nome da cor do objeto analisado. O projeto foi desenvolvido pelos engenheiros de computação, formados pela Poli, Fernando de Oliveira Gil e Nathalia Sautchuk Patrício, dentro do Programa Poli Cidadã.

A competição é organizada pelo Unreasonable Institute e premiará projetos sociais de grande impacto. O objetivo é buscar empreendedores sociais que desenvolvam planos de iniciativas autossustentáveis. Por isso, os projetos têm o formato de empresas e não de entidades sem fins lucrativos.

Na primeira fase, a competição selecionou 42 finalistas. Agora, na fase final, o instituto escolherá os 25 primeiros projetos que conseguirem arrecadar US$ 6.500 em doações. O dinheiro será usado para custear os desenvolvedores dos projetos durante um período de 10 semanas de treinamento na sede da instituição, no Colorado, Estados Unidos, com profissionais e especialistas na área de negócios. As doações começaram na segunda-feira, 25, e poderão ser feitas até 15 de março.

“Para a competição, montamos um plano de negócios para abrir uma empresa e produzir o identificador com baixo custo”, conta Gil. Os pesquisadores pretendem alcançar um custo por aparelho por volta de R$ 100,00 a R$ 200,00. Gil ressalta que existem aparelhos semelhantes no mercado, mas que são vendidos no Brasil por cerca de R$ 1.200,00.

Funcionamento

O aparelho consiste em uma caixa que faz uma leitura óptica do objeto e identifica as três cores básicas: azul, verde e vermelho, por meio de sensores, um para cada cor. Baseado nesses componentes, ele identifica a cor que mais se aproxima do objeto analisado, e “fala” o nome da cor. “No caso do dinheiro, as notas do Brasil utilizam cores diferentes. Então, o aparelho utiliza a cor para identificar as notas. Por exemplo, se o aparelho lê uma cor vermelha, trata-se de uma nota de 10 reais; o rosa, 5 reais e assim por diante”, explica o engenheiro, “não conseguimos ainda diferenciar com segurança as notas de 2 e 100 reais, ainda é necessário alguns ajustes”, completa.

O protótipo precisa ser conectado a um computador, que processa os dados por meio de um software. “Nossa ideia é introduzir o software dentro do aparelho e torná-lo autônomo, ou seja, que processe os dados sem utilizar um computador”, explica Gil.

O público alvo são os deficientes visuais, tanto os completamente cegos quanto os daltônicos, principalmente aqueles de baixa renda. “Para baixar os custos do aparelho, vamos utilizar uma eletrônica mais simplificada, com componentes disponíveis no mercado, além de uma arquitetura aberta de software livre. Queremos que o Auire possa ser reproduzido por quem possui os componentes e alguns conhecimentos de eletrônica”, explica.

A primeira fase da competição foi o desenvolvimento do plano de negócios, em que os competidores precisavam apresentar uma ideia que atingisse um milhão de pessoas; que fosse autossustentável no prazo de um ano; e que depois de três anos pudesse ser estendida para outros países.

“Após entrar no Instituto, teremos dez semanas de treinamentos numa incubadora com profissionais e especialistas de marketing e negócios para desenvolvermos a ideia e tornar o projeto real, atingindo assim nossos objetivos do plano de negócios”, explica Gil. Passado o período de treinamento, os projetos serão expostos a investidores sociais num evento organizado pelo instituto.

Doações

As doações poderão ser feitas pelos próximos 50 dias e são limitadas por pessoa, não sendo permitido doar grandes quantias. As primeiras equipes que atingirem o valor de US$ 6.500,00 serão as escolhidas para o treinamento. As doações só serão efetivadas se o projeto for selecionado. Assim, o doador só vai pagar se o projeto for aprovado.

Para doar, o interessado deverá preencher um cadastro no site oficial do Unreasonable Institute e fazer a doação. A segunda opção é via dinheiro no Pagseguro por meio do site do Identificador, onde também estão disponíveis mais informações sobre o aparelho e a competição.

Os interessados podem obter mais informações pelo telefone (11) 9827-7928 ou pela internet, nos sites www.identificadordecores.com.br e www.unreasonablefinalists.org. Quem quiser também pode enviar email para fernando.gil@gmail.com ou info@auire.com.br.

Da USP

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