Instituição é modernizada para garantir maior espaço à história de SP e terá novas instalações

Enquanto no Núcleo de Conservação são recuperados os documentos de São Luiz do Paraitinga, atingidos pela água nas enchentes que arrasaram o município no início do ano, em outros ambientes e do lado de fora é o edifício que passa por cuidados. O prédio em obras é prenúncio de mudança, mas no caso do Arquivo Público do Estado de São Paulo, a reforma trará novidades que garantirão melhores condições de preservação, assim como a construção do novo edifício, anexo ao atual, que está em andamento.

A instituição paulista é um dos maiores arquivos públicos brasileiros. Sua função primordial é de formular a política estadual de arquivos, que procura recolher, tratar e difundir toda documentação de caráter histórico produzido pelo Poder Executivo paulista. O novo perfil começou a ser esboçado a partir de uma recolocação institucional, em 2007, quando passou a ser vinculado à Casa Civil, e teve sua estrutura administrativa alterada e ampliada.

O projeto de reforma e ampliação também teve sua origem aí: as atuais dependências (7.007 metros quadrados de área) serão totalmente renovadas, enquanto o edifício em construção agregará ao Arquivo Público 11 pavimentos, de 1,6 mil metros quadrados cada, com capacidade para abrigar 90 mil metros lineares de documentação. O prédio a ser reinaugurado terá ainda novos laboratórios de preservação, restauração, microfilmagem e digitalização de documentos, e depósitos para a guarda de acervo, com climatização controlada e prevenção de infestações por pragas.

Além disso, oferecerá três espaços de atendimento coletivo, que possibilitarão a pesquisa em grupo, um auditório, um espaço expositivo, uma livraria, um café e a estrutura administrativa. O investimento total para isso é de R$ 68 milhões. O término da obra está previsto para dezembro deste ano.

Memória do Estado

O acervo da instituição é formado por cerca de dez mil metros lineares de documentação permanente, disponíveis integralmente à consulta pública, e aproximadamente 16 mil metros lineares de documentação intermediária, que corresponde ao Arquivo Administrativo. Trata-se dos documentos públicos produzidos pelas diversas secretarias, autarquias, fundações (1900-1960) e fundos cartoriais, que aguardam avaliação e definição de prazos prescricionais de guarda, para incorporação ao acervo permanente ou eliminação.

Já o permanente inclui ampla variedade de documentos oficiais da administração pública estadual, além de fotografias, ilustrações, caricaturas, mapas, jornais e revistas. O acervo iconográfico soma 1,5 milhão de cópias fotográficas, positivos, negativos, mapas, ilustrações e caricaturas, que têm como destaque os conjuntos de imagens de fotojornalismo, tal como o do jornal Última Hora, que circulou entre 1951 e 1971 e representou um marco na história do jornalismo brasileiro.

Arquivo em casa

Esse material está, cada vez mais, disponível no site para consulta on-line. O espaço virtual reúne mais de 200 mil imagens, entre documentos oficiais, jornais, revistas, fotos e filmes, diretamente ligados à memória do País e relacionadas a temas diversos, como, por exemplo, imigração, cotidiano paulista, história da educação, movimento estudantil e futebol. Para se ter acesso ao conteúdo, pode-se optar entre 14 diferentes mecanismos de busca. Há no site, por exemplo, catálogos para jornais e revistas digitalizados e o Guia do Acervo, com dados sobre todo o acervo da instituição.

Por trás da agilidade virtual, no entanto, o procedimento especializado, criterioso e artesanal, realizado sistematicamente, garante parte do novo perfil à instituição. No Centro de Preservação, composto de três núcleos, os documentos passam por conservação, microfilmagem, digitalização e acondicionamento.

Cópias de segurança

Têm prioridade no setor os documentos mais deteriorados, porque uma vez reproduzido o conteúdo, o original não é mais manipulado. São feitas duas cópias em microfilme de cada – sendo um negativo em prata, de grande durabilidade, e outro em diazo, material também mais resistente que o microfilme original, feito de sais de prata, utilizado para o manuseio. A reprodução em prata é guardada em sala climatizada, por segurança, na Cinemateca Brasileira.

Como a máquina híbrida só reproduz em preto e branco, a captura das imagens em cores é realizada num Scanner Flat Bad. Por ele, passam, por exemplo, as revistas coloridas, como a Careta de 1958, que está em processamento. Depois de captadas, essas imagens são tratadas no Photoshop.

Por fim, o material chega ao Núcleo de Acondicionamento, para a guarda. É onde se encerra o ciclo do Centro de Preservação. As embalagens são todas produzidas manualmente no próprio setor, em polietileno, conhecido como polionda, material escolhido por não interferir quimicamente com o papel.

No decorrer dos tempos, essa opção mudou algumas vezes. Inicialmente, os documentos eram acondicionados em caixas de ferro e depois em pastas de papelão. A adoção da polionda é uma evolução natural e o material ainda arquivado em embalagem de ferro e papelão será transferido gradualmente.

Cada caixa feita no Núcleo abriga em média mil documentos, seja em papel ou microfilme, guardados em pastas de papel alcalino. A escolha pela confecção própria das pastas teve origem na diversidade de tamanhos de embalagens que a guarda exige. “Não encontraríamos pronto o produto adequado para os vários formatos de documentos com que trabalhamos”, conta o responsável, Alexandre Masotti. No processo, são também identificados, datados e lançados no sistema.

Serviço

Atendimento: De terça-feira a sábado, das 9 às 17 horas (solicitação de material até às 16 horas)
Endereço: Avenida Cruzeiro do Sul, 1.777 – Tel. 2089-8100
Site: www.arquivoestado.sp.gov.br

Da Agência Imprensa Oficial

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