Iniciativa da Unesp também tem foco na formação de professores para a inclusão

O Centro de Inclusão Digital e Social (Cpides), da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), campus de Presidente Prudente, da Unesp, conta com a experiência de pesquisadores do grupo Ambientes Potencializadores para Inclusão (API). Sob a coordenação da professora Elisa Schlünzen, o grupo atende jovens com diferentes tipos de deficiência – visual, auditiva, de fala, descontrole motor, síndrome de Down, paralisia cerebral, hiperatividade e dificuldades educativas.

Para isso, a equipe utiliza e desenvolve ferramentas de suporte tecnológico e pedagógico. Um dos recursos disponível é a colméia – placa de acrílico que impede a pessoa com dificuldade motora de pressionar uma tecla involuntariamente. Já o mouse adaptado é uma espécie de microcontrolador com sensibilidade para a percepção de movimentos, posicionado sobre a cabeça do usuário. O ato de clicar é realizado por uma haste, acionada ao inflar das bochechas, explica a educadora.

Outros recursos utilizados são softwares, que possibilitam a disposição de legendas e áudio das ações executadas no PC, como o Mec Daisy. Grande parte dos softwares é desenvolvida pelo Núcleo de Educação Coorporativa (NEC) da FCT, projeto também coordenado pela professora Elisa, em parceria com o professor Klaus Schlünzen Jr. Com o projeto ampliado, o centro dispõe de dez pesquisadores e 13 estagiários para atender, inicialmente, cerca de 30 pessoas com deficiência, alfabetizando e proporcionando inclusão, por meio do uso de softwares específicos e objetos educacionais.

Construcionista

O grupo Ambientes Potencializadores para Inclusão, que começou as atividades em apenas uma sala, tem hoje uma área de 373 metros quadrados. O novo espaço conta com laboratório de informática, biblioteca, sala de reuniões, refeitório, sala de desenvolvimento e sala multifuncional, com equipamentos tecnológicos de acessibilidade. Elisa é graduada em Matemática e doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Na Unesp, segue a linha construcionista, que lida com tecnologias educacionais para a promoção do conhecimento.

O seu foco é o trabalho de inclusão social e digital e a formação de professores para a inclusão. O interesse pela área, revela a professora, partiu de um jovem com paralisia cerebral, que a procurou por não conseguir aprender Matemática. A professora não entendeu o porquê pessoas com tal autonomia não conseguiam assimilar a disciplina, uma vez que têm o cognitivo preservado. Então, pediu à aluna da graduação, Andréa Leão, para dar aulas particulares ao jovem. “Eu ficava observando os dois e, então, comecei a questionar o modo que a escola (e professores) ensinava essas crianças e achei que estava errado”, constatou. “Daí avaliei como poderia trabalhar para incluir todas as pessoas que têm desejo de aprender”, disse.

Parceiros

Atualmente, o grupo de pesquisa tem quatro projetos financiados pelas secretarias da Educação e de Educação Especial. Exemplo disso são os cursos de tecnologias assistivas e de deficiência mental, oferecidos a distância a professores de todo o País. “Também catalogamos materiais digitais e construímos softwares adaptados para o Ministério da Educação e Cultura (MEC). O Governo estadual, por meio da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, financiou R$ 231 mil para a finalização do prédio, e o Governo federal, R$ 1,2 milhão”, informou.

Agora, com o Cpides construído, o projeto toma maiores dimensões e a intenção, segundo a professora, é cada vez mais integrar pesquisadores interessados no assunto e multiplicar o trabalho. “Cada bolsa que conseguimos é mais um aluno da universidade que indiretamente vai trabalhar com essas crianças e acreditar nelas. Cada criança que passou por aqui fala que hoje é mais feliz. A gente acaba formando uma rede de multiplicadores. Esse é o nosso papel como educadores: abrir um espaço para que as pessoas acreditem no potencial do outro”.

Investir para incluir

O grupo Ambientes Potencializadores para Inclusão desenvolve estudos sobre acessibilidade, estratégias pedagógicas e metodológicas do uso de ferramentas tecnológicas na escola para incluir pessoas com deficiência. Um dos frutos desse trabalho é o curso Tecnologias assistivas, que tem suporte tecnológico do Núcleo de Educação a Distância da Unesp. O projeto oferece aperfeiçoamento em Educação Especial a professores da rede pública de ensino, de todos os Estados, por intermédio do ambiente de aprendizado Teleduc. Neste ano, serão oferecidas as terceira e quarta edições do projeto, que já beneficiou aproximadamente mil professores em exercício. O Ministério da Educação, por intermédio da Secretaria de Educação Especial, investiu aproximadamente um milhão de reais para manutenção do curso e bolsas para pesquisadores, formadores, tutores a distância e secretários.

Da Agência Imprensa Oficial e da Unesp

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