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Conheça a história da monitora Landia Alves e seu dedicado trabalho para, por meio da inclusão digital, incluir na sociedade as suas “crianças”

O posto do Acessa SP de São José da Bela Vista recebe toda semana um grupo muito especial de usuários: são os alunos do projeto desenvolvido pela monitora Landia Alves para a educação de crianças com deficiência da cidade.

As “crianças”, aliás, já não são todas assim tão jovens: o grupo tem participantes entre 14 e 50 anos de idade. Quando idealizou o projeto, a monitora pensou em desenvolvê-lo com foco prioritário nos jovens com necessidades especiais, mas rapidamente percebeu que precisaria expandir seu público-alvo. Assim, a faixa etária aumentou, mas o carinho continuou o mesmo.

Landia entrou no Acessa SP em 2009, por meio da prefeitura da cidade. E de lá pra cá, só novidades. Ainda em seu primeiro ano, entrou em um curso técnico em gestão ambiental, e este ano começou mais um, dessa vez em enfermagem.

O Acessa SP, aliás, só ajudou Landia a se desenvolver, tanto profissional quanto pessoalmente. “Para mim é uma experiência e tanto. Com o Acessa SP tive muitas oportunidades. Pude conhecer a cidade de São Paulo e outras cidades do estado e ainda pessoas de outras cidades, um benefício muito grande”, conta.

Mas o grande orgulho dela é o projeto de educação de pessoas com deficiência. Landia explica que, no início do projeto, sofria preconceito por acharem que os alunos não teriam capacidade de aprender. Mas a maior dificuldade era dela mesma “Sempre quis trabalhar com isso, mas nunca tive oportunidade. E tinha medo comigo mesma de não conseguir ensinar para eles”.

Landia, porém, seguiu em frente e começou seu projeto. Com 10 alunos, ela conta que cada um deles tem suas características próprias e ela ensina de maneira diferente. “Alguns chegam sem saber nada e, nesses casos, coloco para desenhar, para trabalhar a coordenação motora”. Para os que já tem mais desenvoltura, a monitora fez um alfabeto nas paredes do posto do Acessa SP para que eles possam ver e identificar as letras no teclado.

E o resultado não poderia ser mais positivo. “Quando eles entraram, nenhum sabia escrever o próprio nome e hoje quatro deles já fazem isso sozinhos”, conta orgulhosa. Mas o projeto de Landia vai além da alfabetização e duas de suas alunas já provam isso.

A primeira é Josimara, de pouco mais de 20 anos. “Ela era agressiva em casa, não deixava o sobrinho ir para a escola, atrapalhava a família. Após começar a frequentar o posto, ficou mais calma, o que ajudou não apenas ela, mas a família toda”.

Outro caso que Landia conta é o de Marta. Com 46 anos, ela tinha uma timidez muito grande e não conversava com as pessoas da cidade. “Depois de entrar no projeto, a Martinha foi perdendo isso e hoje conversa com todo mundo”, relata.

E para o futuro do projeto e das “crianças” Landia só vê coisas boas. “Vou estudar Pedagogia para ajudar mais eles e espero que eles saiam pelo menos reconhecendo as letras e os números. Isso já é uma vitória. E também que eles sejam reconhecidos como pessoas normais na nossa cidade”. E se depender do trabalho dela, o projeto já está dando frutos. É a inclusão digital e a inclusão social juntas pelo bem da comunidade.

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