Menos de três anos após sua abertura, o museu já teve 1 milhão de visitas. Em média, o local recebe 32 mil visitantes por mês

“Ah! Pode escrever aí que faço parte desse time de visitantes”, diz o entusiasmado Jonatan Sales, 13 anos, estudante da 3ª série, em sua segunda visita ao Museu do Futebol. Ele e o colega Ítalo Vieira, mesma idade, na 7ª série, gostam de dizer que são frequentadores de carteirinha do espaço, onde aprenderam “muita coisa boa”.

Por coincidência, eles estavam lá no dia em que o Museu alcançou a marca histórica de um milhão de visitantes. “Até comemoramos”, brinca André Pereira de Oliveira, ex-jogador e atualmente educador do Projeto Praças da Paz, que atua em nove regiões de São Paulo, uma delas o Jardim Panorama, onde treina 138 crianças e adolescentes, entre elas Jonatan e Ítalo, para a prática do futebol. Visitar o Museu está virando rotina para eles, diz André.

Jonatan, são-paulino roxo, diz que se surpreende a cada visita. “Eu não sabia, mas antigamente havia racismo no futebol e teve até um jogador do Fluminense que precisou passar pó-de-arroz no rosto para ser aceito. Devia ser bem complicado”. Ítalo não esconde a emoção de passar pela sala das torcidas. “Dá vontade de estar no meio deles”. Os títulos dos jogadores, também, são motivo de orgulho.

Fitinha roxa

Para comemorar, o Museu inaugurou logo na entrada um grande painel ilustrativo de um milhão de visitas. Para se ter idéia, se forem colocados todos juntos, a soma desse público significa 12 Maracanãs ou Morumbis lotados ou 25 Pacaembus em dias de grandes clássicos. Segundo o curador do Museu do Futebol, Leonel Katz, é um público extraordinário para apenas dois anos e meio de funcionamento.

Com média superior a 32 mil visitas por mês, o espaço cultural de 7 mil metros quadrados, com 15 salas temáticas sobre futebol, impressiona. Benedito Matias Pires, corintiano, torneiro-mecânico, aproveitou as férias para conhecer de perto o Museu, que já conhecia de ouvir falar, de reportagens na televisão, no rádio. Gastou uma hora para se deslocar de São Miguel Paulista, fazendo a viagem de trem e metrô. “Valeu a pena, tenho paixão por futebol e desde criança compro revistas, livros, sobre o assunto”, diz, encantado com a Sala das Origens, repleta de fotos antigas sobre o esporte. Para diante da foto de Mário Carneiro Mendonça, primeiro goleiro da seleção brasileira. Com a autoridade de quem realmente domina o assunto, vai logo dando as pistas. “O Mário tinha o apelido de ‘fitinha roxa”, por conta do cinto que usava para prender o calção”, diz apontando o detalhe na foto. “Maravilha. É de tirar o chapéu esse Museu, com certeza vou voltar outras vezes”.

Relembrando emoções

A movimentação no Museu é grande já a partir da entrada, batizado de Grande Área. Seguem-se a Sala de Exposições Temporárias Osmar Santos, as Salas Pé na Bola, dos Anjos Barrocos, dos Gols, do Rádio e TV, a da Exaltação, das Origens, dos Heróis, das Copas do Mundo e a Sala Pelé-Garrincha, dedicadas ao eixo emoção-história. Para Clara Azevedo, diretora executiva do Museu, o visitante é envolvido, fisgado, pela emoção, chegando ao clímax na Sala de Exaltação, que traz uma experiência emocionante da paixão dos torcedores pelo futebol.

No setor de diversão, em que o futebol é mostrado como atividade lúdica, o visitante entra na última parte do percurso. É o momento de se deliciar com a Sala dos Números e Curiosidades, da Dança do Futebol, o Slow, Sala Pacaembu e a Sala de Corpo, com destaque para as brincadeiras interativas.

O secretário de Turismo de Botucatu, Fred Wanderley, acompanhado de sua equipe, também engrossou as fileiras de visitantes, não só por gostar de futebol, mas porque deseja se inspirar no projeto do Museu do Futebol para instalar em sua cidade o Museu de Música Sertaneja, interativo, aproveitando o potencial que existe no município. “Saio daqui animado, acho que vamos transformar nosso sonho em realidade”.

Fred diz ser fã do goleiro Gilmar, campeão do mundo pela Seleção Brasileira nas Copas de 1958 e 1962. Ainda mais porque ele jogou no seu time do coração, o Santos. “É uma grande figura, ao lado do nosso Bellini, grande zagueiro da época”. Fred se entusiasma com a idéia de se trabalhar o futebol como produto cultural juntando tecnologias tão avançadas.

A proposta do Museu é realmente essa: usar a tecnologia para levar o visitante a uma fantástica viagem pelo futebol, ver os gols e sentir a emoção da torcida. Vídeos, projeções, sons e outros efeitos tornam a visita mais agradável e compreensiva.

Foi isso o que mais chamou a atenção de Rosicléa Góes, levada pelo marido André, visitante costumeiro do espaço. “Achei fascinante a parte da arquibancada de frente para o estádio”. Com um sorriso de vitória, o marido corintiano revela que a visita foi um presente de aniversário à esposa. “Estamos desempregados, então imaginei essa visita como presente”. Depois, revela outra intenção: “Ela não liga muito para futebol, mas como preciso de uma torcedora corintiana em casa, esse é o caminho. Aos poucos, faço a cabeça dela.”

Fonte: SP Notícias

Compartilhe!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Current month ye@r day *