As Capacitações acontecem todo fim de mês e reúnem sempre monitores de vários lugares do estado de São Paulo. Nesses encontros um ou outro monitor se destaca e se mostra ativo e com potencial de mobilização dentro do programa. Alguns desses monitores foram convidados a ajudar no treinamento e orientação de outros monitores nas capacitações, podendo falar de igual para igual e servindo de inspiração para que esses monitores se tornem monitores-projetistas.

Juliana Petreski, de Itaquaquecetuba, e Thiago Previateri, de Itapólis, são os monitores-facilitadores que estão essa semana a frente da capacitação no Parque da Juventude. Mostrando domínio e conduzindo muito bem a turma de monitores, os dois deixam claro que não estão ali por acaso. Por isso, fizemos umas perguntinhas para conhece-los melhor.

1- Vemos vocês sempre na internet, nas listas. E a gente não saber da história de vocês junto com o programa. Como vocês entraram no Acessa SP?

Juliana: Bom, eu fui para por indicação. O último monitor é meu irmão, ele passou em um concurso de uma cidade vizinha onde ele precisou sair e me indicou por proximidade e me passou as coisas do programa. Já tem um ano e nove meses que eu to lá, vai completar dois anos, e to gostando muito do meu trabalho.

Thiago: Eu cheguei lá em junho do ano passado. Eu passei em um concurso para monitor de informática e em reunião com o prefeito ele disse que eu iria cuidar do Acessa.O interessante é que eu não saibia que existia Acessa São Paulo na minha cidade. Não saiba nem o que era. E quando ele falou “Você vai ficar no Acessa”, eu falei “e o que é esse Acessa?”. Ele falou que o monitor me explicaria, e eu fiquei lá como monitor do acessa também.

2- Uma coisa que a gente percebe em vocês e outros monitores-facilitadores, é que vocês já têm uma maior compreensão do que é o programa e o potencial que ele tem para a produção de projetos que ele oferece. E com o tempo que vocês tem de programa, já temos aqui dois projetos em ação, duas coisas acontecendo. E como foi esse processo para vocês de ser projetista?

Juliana: O projeto já existia quando eu entrei no posto. Ele existe desde 2008. Tinha dado uma pausa e quando eu entrei a gente resolveu retomar os dados. É uma parceria que desenvolvemos com a Secretaria de Desenvolvimento Social, atendendo um grupo da terceira idade. E tendo em vista que esse grupo não é o público alvo do posto, a gente resolveu desenvolver esse projeto que se chama “Ser Feliz na Internet”. Atendemos pessoas acima de 60 anos. E vimos que é muito importante esse projeto para o posto, porque a gente começa a despertar em outras pessoas o interesse de procurar o uso da internet para melhoria de vida. Essa é a proposta do projeto. Não queremos ensinar técnicas de informática. Nada disso. E sim usar essa ferramenta da internet para melhoria de vida. Então, a gente retomou um projeto que estava parado. Esse projeto já tem a cara do posto. Hoje a gente não pode ficar sem ele, porque a fila que tem para atender os idosos é grande. (risos)

Thiago: Quando eu comecei lá, em Itapólis, não tinha nenhum projeto. Funcionava o Acessa normalmente. E uma coisa que me incomodou muito foi que o monitor disse para “eu me acostumar com clima parado de lá”. Isso me incomodou muito. Ele e eu tivemos uma richa no começo, mas depois eu comecei a pesquisar o que era o Acessa, o que era o programa, o que ele queria trazer com isso de inclusão digital. O que me incentivou bastante nessa parte de projetos foi o secretário de cultura, que chegou com umas ideias legais. Nisso eu comecei a bater de frente com ele e questionar porque eu não tinha passado pela capacitação. Nem pela primeira, nem a da rede de projetos. Daí, eu e o Alexandre, monitor do Telecentro, começamos a nos entrosar e pesquisar projetos na rede de projetos, a conversar com monitores, inclusive com a Ana Luiza (também é uma monitora-capacitadora), que me ajudou bastante. A gente começou a tocar o projeto com a terceira idade também. Foi até legal, porque tava rolado o projeto numa tarde e o Robson (coordenador do programa na Escola do Futuro) chegou lá de surpresa, não sabia. Ele viu que o projeto tava rolando, se apresentou e me convidou para participar da capacitação rede de projetos. Eu vim para capacitação e entendi melhor a rede de projeto, o tempo que a gente podia utilizar, que não só monitores podem participar, que a gente pode convidar qualquer pessoa que tem uma ideia, que tem interesse e quer um espaço para abrir um projeto. Mudar o posto daquele mínimo para o projeto, trazer projetos muda como os pessoas veem o posto. Porque muita gente vê o posto como uma lan house gratuita. “Ah, lá é a lan house da prefeitura de graça”. Não, o Acessa São Paulo não é isso.O Acessa São Paulo quer incluir as pessoas digitalmente e socialmente. Não só com as máquinas, mas com projetos também. Colocar projeto no posto muda a visão que as pessoas tem do posto. As pessoas passam a ver o posto como uma coisa delas, não só do monitor. Não, o posto é delas também.

 

3- Por essa visão diferencia, vocês estão aqui hoje. Para passar essa mentalidade e as coisas que vocês aprenderam com os projetos e no posto. Para termos essa troca.

Juliana: A troca de experiência é muito boa, porque a gente já está a um tempo no programa e conhece muita coisa. E passar para essas pessoas novo, que tá chegando é muito importante. Temos que passar essa consciência de que a gente não tá ali só para cadastrar e liberar máquinas e sim para ajudar, auxiliar e tirar dúvidas. E ali, na verdade, é muito além de usar a internet. Se torna um ponto de encontro, ali a gente faz amizades. Hoje eu tenho usuários do posto Acessa SP que são meus amigos e que frequentam até a minha casa. A gente tem que passar isso da melhor forma. Mostrar que a internet está ali e que pode oferecer muitas coisas. As questões das redes sociais, estudos, empregos, serviços do governo que estão todos disponibilizados ali para eles.

Thiago: Acho que é isso mesmo que a Juliana disse. A gente tem que passar para esses monitores novos ou aqueles que ainda não enxergaram o que é o Acessa, o que dá pra fazer ali. Tentar despertar neles essa vontade de mudar o posto e vontade de colaborar na inclusão digital. Veja passando para eles as nossas experiências, seja mostrando as ferramentas nas mãos, e que eles talvez não saibam como usar. Acho que vindo para cá e colhendo deles essas experiências e passar dele as nossas experiências, serve para tentar despertar neles esse espírito de projetistas. Tentar fazer com que eles enxerguem o posto de maneira diferente. Eles enxergando o posto de uma maneira diferente vão poder fazer com que outras pessoas possam ver o posto de maneira diferente.

Juliana: O posto vai ser espelho do monitor. O monitor tem que estar sempre presente, com ideias novas. Você só vai atrair pessoas boas se você for um bom monitor. Eu penso dessa forma.

4- Para finalizar, com vocês vêem a importância da capacitação para o trabalho do monitor?

Juliana: É importante, porque além de explicar as regras de um bom funcionamento de um posto, existe a troca de experiências com outros monitores. E pra você estar agindo da melhor forma, porque às vezes você está dentro do posto e não sabe como aquilo funciona, e exatamente aqui na capacitação a gente vai ver tudo isso. E quando você vem pra capacitação, você tem um animo a mais para voltar para sua cidade e ver que você não está sozinho e que tem um monte de pessoas ao seu redor para estar te ajudando, as ferramentas, o apoio dos gestores e o conhecimento que você adquire na capacitação. Porque muitas vezes você tá lá sozinho no seu posto, você acha que está sozinho, mas você não está. Você tem a quem recorrer.

Thiago: Eu concordo com a Juliana. É importante vir, participar, para conhecer os outros monitores, para conhecer quem são os seus parceiros, que estão com você no dia-a-dia ou não. Vindo para a capacitação o monitor começa a entender o que é o posto Acessa São Paulo, para que existe o posto. É importante vir. Tem alguns que tem aquele probleminha com recursos, mas vale a pena brigar por isso e se apoiar na gestão e recorrer ao convênio para conseguir vir. Porque é uma experiência muito boa.

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