O publicitário e ativista João Carlos Caribé, além de defensor da internet livre, é também um incentivador da “alfabetização digital” do usuário comum da internet. Durante o 13º Fórum Software Livre (fisl13), ele falou ao Terra sobre suas percepções acerca do tema, além de ressaltar a importância de se ter o Marco Civil da internet aprovado, preservando a neutralidade da rede.
Caribé criou o movimento Mega Não em oposição ao Projeto de Lei 84/99, do deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que também ficou conhecido como “AI-5 digital”. Com as recentes modificações na redação da proposta, Caribé acredita que o PL Azeredo não representa mais um risco relevante. “Agora a briga está sendo em cima do Marco Civil, para que este preveja alguns itens que foram excluídos do PL Azeredo”, explicou o ativista.
Segundo ele, há um conflito de interesses latente, pois há quem não queira que o usuário comum desenvolva todo o potencial que poderia – incluindo aí indústrias tradicionais como grandes gravadoras, produtoras de filmes, editoras e até mesmo grandes conglomerados de mídia. “É uma luta de poder, na qual o dinheiro é o grande motor da disputa”, avalia Caribé.
“A neutralidade da rede também é essencial e é um ponto que não deveria mais ser discutido dentro do Marco Civil. Internet sem neutralidade não é internet, a ausência dela acaba com tudo”, defendeu.
Questionado sobre como o usuário pode defender seus interesses nesta batalha, Caribé diz que a informação e a ação direta estão entre as principais armas. “No caso do Marco Civil, é preciso se informar da importância dele na vida de cada cidadão, entender isso. Penso em criar uma espécie de cartilha, respondendo a questões como ‘por que o Marco Civil é importante para os músicos?’, ‘por que é importante para empresários?’, ‘e para desenvolvedores de softwares?’, mostrando a interferência da proposta em diversos nichos”, disse ele.
Para Caribé, o boca-a-boca, discutir as ameaças à internet livre e aos direitos dos usuários no máximo de círculos que for possível, é importante para voltar a atenção do máximo de pessoas à causa. “Mandar e-mail para deputados também costuma funcionar – se o cara receber 100 e-mails de pessoas diferentes sobre um mesmo assunto, ele vai acabar dando atenção. A Câmara é o setor mais sensível à sociedade e isso deve ser melhor aproveitado. Assinar petições online também é bacana, pelo valor político. Não tem valor legal nenhum, mas se você chegar com um grande número de assinaturas num dia de votação de projeto, isso certamente gera um impacto”, aconselhou.
Caribé também acredita que os usuários não precisam de leis rígidas para protegê-los contra crimes digitais e malwares, mas sim serem educados para a prevenção destas ocorrências. “A internet, assim como várias outras coisas, faz parte da vida em sociedade, agora, se ela é segura ou não, isso é uma questão cultural”, opina.
Ele vê o caso do vazamento de fotos em que a atriz Carolina Dieckmann aparecia nua como um caso típico de ignorância digital – já que a atriz compartilhou as fotos por e-mail e se expôs a um link malicioso, que acabou invadindo a conta dela e gerando o compartilhamento indevido das imagens.
“Em vez de se falar em leis para garantir a segurança do usuário, deveria se falar em educação do usuário, em informações, cartilhas e cursos para que as pessoas aprendam a usar a internet de forma mais segura”, concluiu.

Fonte: Terra

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