Conheça a história de Fabíola, instrutora de libras no Parque da Juventude, que superou os obstáculos da surdez e da falta de acessibilidade.

O Causos desse mês vai contar uma história super especial, a de Fabíola Aparecida de Oliveira, de 27 anos, fisioterapeuta e instrutora de libras. Ela é uma das responsáveis pela oficina de Libras, oferecida todo mês no Parque da Juventude pelo Acessa São Paulo. Para chegar até o Acessa, Fabiola passou por várias dificuldades, mas conseguiu passar por cada obstáculo de maneira exemplar.

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Aos 20 dias de vida, Fabíola teve uma febre muito alta, diagnosticada como meningite. Um segundo médico diagnosticou-a com um simples sarampo, mas como ela já havia tomado o remédio a mistura acabou ocasionando a perda de audição. “Meus pais só descobriam quando eu fiz 2 anos de idade. Eles começaram a ver que eu não falava todas as palavras. Me levaram em um médico otorrino para investigar melhor, fizeram todos os exames e veio o diagnóstico.” Para a família foi um susto, pois não sabiam como educar uma criança com essa deficiência e ainda tinham a dificuldade para aceitar a condição da filha. “Quando tinha 7 anos, meus pais procuraram uma escola normal mas nenhuma aceitou porque não eram adaptados para me atender. Meus pais então encontraram uma escola especial para surdos e foi lá que descobri minha deficiência, porque vi outras que as crianças que não falavam, usavam aparelho de audição e usando língua de sinais.” Graças a inúmeras sessões que fez com uma fonoaudióloga quando era pequena a Fabíola consegue se comunicar oralmente, mas prefere a linguagem de sinais. “Aos 14 anos os professores falaram para os meus pais para me mudar para escola normal, eles falaram que eu já conseguiria acompanhar. Quando entrei escola normal sofri tanto, pois não consegui entende o que os professores falavam. Queria voltar para a escola especial, mas meus pais não deixaram. Consegui passar no colegial, fui para cursinho pré vestibular e passei para fisioterapia”.

Antes Fabíola não acredita que poderia fazer uma faculdade, ainda mais trabalhar na área da saúde. e saúde, mas depois que ouviu de sua mãe que sua avó após um derrame fez sessões de fisioterapia que ajudaram em sua recuperação, a profissão encantou-a.

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Já na faculdade, a dificuldade era a falta de acessibilidade. Diante disso mobilizou-se criando um fórum onde estavam presentes especialistas e outros surdos que poderiam ajuda-la a conseguir melhores condições para a sua formação e discutir a questão. A mobilização deu resultado e uma interprete passou a lhe acompanhar e ajudar com as matérias. Seu desempenho melhorou consideravelmente, refletindo-se nas notas. “Os alunos da sala, todos, desde o princípio do curso, sempre me ajudaram, emprestando seus cadernos com anotações, por exemplo, eu os reproduzia para poder refazer o material que eu própria havia anotado. Como agradecimento à ajuda prestada por meus colegas, eu propus ensinar Libras a eles. Com a ajuda de um professor, uma sala de aula foi reservada e durante o horário do almoço e uma vez por semana eu ensinava Libras aos meus colegas.”

Assim Fabíola se formou e se pós-graduou em Fisioterapia Disfunções Musculoesqueléticas. Mas mesmo formada ela não conseguia emprego. Desmotivada, a jovem começou a ficar cada vez mais deprimida. Até que um dia ela descobriu o Acessa SP. “Meu pai estava lendo jornal e viu anuncio do Acessa SP do curso de português para surdo e inglês , fiz inscrição e comecei frequentar as aulas e conheci professora Valéria (instrutora de libras e inglês). Como estava sem trabalho, ela me perguntou se eu gostaria ser voluntária e trabalhar como instrutora de libras. Fiquei 2 meses como voluntária e comecei a ser remunerada pela minha aula faz um ano e meio.” Hoje Fabíola trabalha e estuda para se especializar em fisioterapia, mas adora dar aula de libras. “Dentro da sala de aula eu posso ter a ‘identidade-surda’, do lado de fora tenho que tentar falar para ser entendida.”. Com a família orgulhosa de sua trajetória, hoje Fabíola tenta crescer em sua carreira de formação, conjuntamente com as aulas de libras, superando cada desafio que aparece com muita força e coragem.

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Um comentário Inclusão e força de vontade

  1. terezinha disse:

    Parabéns linda

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