Saiba o que pensam aqueles que lidam diariamente com o nosso idioma

Leonardo Pereira

Apesar de ser língua primária apenas no Brasil e em Portugal, o português está entre os dez idiomas mais falados no mundo, segundo o Ethnologue – são 178 milhões de pessoas que o utilizam em 37 países. Nos últimos anos, ele tem sofrido influência direta da internet, e o advento das redes sociais deu um empurrão nesse quadro.

Se td o q fosse publicado aqui no Olhar Digital fosse digitado desta forma, s/ respeitar mto o que se aprende na escola quanto à escrita, o conteúdo das reportagens seria deixado de lado? Vcs, leitores, acreditam q um “corrão”, um “comofas” ou um “todos chora” dificulta a compreensão?

“Prejudica o ser humano num modo geral”, adverte Inês Perna, executive search da Case Consultores. Para ela, que trabalha há mais de 20 anos com recrutamento, falando com perfis que vão dos jovens aos mais experientes executivos, “as pessoas esquecem como se faz”.

Inês considera que os internautas têm desaprendido o português e a linguagem escrita sofre com isso, mas ela salienta que há mais ou menos atenção dependendo do tipo de rede social em que se está escrevendo. Num LinkedIn, por exemplo, as gírias da rede praticamente não entram.

Quem perde com isso?

“Ouço muitas pessoas falando que a exposição ao português errado pode influenciar negativamente as pessoas. Mas estamos muito mais expostos ao português correto do que o contrário. Isso influencia positivamente? Pelo visto não, certo? Então por que o contrário seria verdadeiro?”, questiona Bia Granja, curadora do youPIX Festival, dado como maior evento de cultura de internet do Brasil.

Bia é autora de um manifesto que defende o direito de usar expressões da rede sem culpa (veja aqui). Ao Olhar Digital, ela explica: “Meu argumento é em relação à importância de garantir liberdade de voz, mesmo pra quem não conhece todas as regras gramaticais existentes e que, diga-se de passagem, são convenções e não leis imutáveis.”

Mas será que o uso persistente desse novo idioma não pode confundir a pessoa na hora de tentar um emprego? O internauta sabe lidar com a diferença entre se comunicar pela rede com qualquer um e falar com recrutadores? “No LinkedIn, a gente vê posts com alguns erros de ortografia. Num Facebook, Twitter isso é mais permissivo, porque aquilo não é lugar para contato profissional”, aponta Inês.

Reduzir palavras, por exemplo, já faz parte do cotidiano de quem é ativo na internet. O que para alguns pode ser visto como aberração aceita, outros enxergam como evolução natural da língua. De qualquer maneira, seu uso é proibido no contato profissional, a não ser em caso de comunicação interna. “Mas não aquela coisa de substituir um acento agudo por um h”, aconselha a executiva.

“Abreviação de palavras nasceu com a internet? Não! O ‘vc’ que usamos hoje é uma abreviação de ‘você’, que é uma abreviação de ‘vancê’, que é uma abreviação de ‘vosmecê’, que abrevia ‘vossemecê’, que abrevia ‘vossa mercê’. Ou seja, a língua sempre se adapta ao estilo de vida daqueles que a usam”, complementa Bia. “E, convenhamos, esse estilo e os meios estão cada vez mais velozes, não?”

Evolução

Em 2010, o dicionário Aurélio incorporou verbetes do ambiente digital, as chamadas expressões “wébicas”. Entre eles estão palavras como “e-book”, “tablet”, “pop-up”, além dos verbos “tuitar” e “blogar”. Os substantivos “fotolog”, “bluetooth”, “blu-ray disc” e “blu-ray player” também foram incluídos.

“Se você for pensar, ‘tuitar’ é bem mais uma palavra técnica do que ‘wébica’: existe uma rede social chamada Twitter, quando você posta algo ali você ‘tuíta’, portanto o verbo ‘tuitar’ é tão verbo quanto ‘dormir’, ‘imprimir’, ‘digitar’, ‘clicar’”, expõe a curadora do youPIX, para quem “novos comportamentos exigem novos verbos”.

Inês não vê sinais de doença no português, ele é adaptável; e o neologismo existe muito antes de a internet ser criada. Ela ressalta que na agilidade as pessoas erram e acabam não corrigindo, então às vezes o problema nem é a linguagem, mas os erros de digitação. Além do mais, lembra ela, “a internet nunca vai ser tão formal quanto a carta”.

Fonte: Olhar Digital

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