No dia-a-dia dos postos do Acessa São Paulo os monitores têm uma rotina de auxílio aos usuários e projetos. Imagine se esse processo fosse otimizado por um programa? E se ele pudesse evoluir, sendo melhorado por outros desenvolvedores, sem nenhuma taxa? Um monitor pensou nisso. Edil Queiroz de Araújo, da cidade de Ribeirão Grande, criou o Monitor Virtual, software realizado por meio do mecanismo da Rede de Projetos e que já está disponível para download de qualquer interessado. O universo do Software Livre fez com que Edil se interessasse, criasse o programa em código aberto e fosse além das suas tarefas por um bem comum.

Software Livre levou Edil à final do III Prêmio Acessa São Paulo

Edil (ao centro) foi um dos finalistas do III Prêmio Acessa São Paulo com o projeto Monitor Virtual

Esse é um dos benefícios do Software Livre. Ser um programa livre significa que o código no qual foi construído pode ser copiado, estudado, melhorado e disponibilizado gratuitamente para qualquer pessoa. O que é diferente da lógica dos softwares proprietários, que são aqueles que possuem código restrito e destinado à comercialização em produtos específicos.

A possibilidade de conhecer o programa a partir da sua estrutura fez com que Edil pesquisasse sobre o assunto por conta própria. ”Mesmo não sabendo nada de Software Livre no começo, e com muita dificuldade, insisti em aprender sobre o assunto. É uma área que gosto muito, principalmente a parte da programação. Sempre admirei as pessoas que divulgam seus trabalhos e permitem que outras pessoas, como eu, possam aprender com isso”, disse.

“O Monitor Virtual tinha que ser acessível, para que outros possam aprender, ver como funciona e ter alguma chance a mais de encontrar alimento para seus estudos. Isso vai para além do conhecimento técnico, explicitando também a experiência de encarar esse tipo de desafio, como eu fiz.”, acrescenta o monitor, que foi um dos finalistas do III Prêmio Acessa São Paulo.

Software livre: as liberdades e a construção coletiva

Monitor Virtual, programa desenvolvido pelo monitor Edil Queiroz de Araújo

A liberdade de desvendar a ideia fonte dos programas foi a base para a criação dos Softwares Livres. Seguindo essa lógica foram criados alguns ”mandamentos” pela Free Software Foundation, listados também no site Sofware Livre Brasil:

  • A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito (liberdade no. 0);
  • A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades (liberdade no. 1); Aceso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade;
  • A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo (liberdade no. 2);
  • A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie (liberdade no. 3). Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

A partir desse ideal, os Softwares Livres crescem e são compartilhados.

Uma característica desse aprimoramento é a construção coletiva do programa, feita por vários desenvolvedores que pensam juntos em formas de tornar os softwares melhores. “Não existe um modelo padrão. O que realmente importa é fazer com que o código-fonte esteja disponível no final do trabalho, para que possa ser editado e analisado pela comunidade, e que esteja bem documentado, para saber o que cada parte do código faz na prática”, afirma Gabriel Galli, militante e assessor de comunicação do Fórum Internacional Software Livre.

Crescimento

Os softwares livres estão tomando um grande espaço e aceitação nos dias de hoje. Inúmeros projetos e entidades fomentam o seu uso e o desenvolvimento de novas ideias. Como é o caso do projeto Google Summer of Code, ação da empresa Google que incentiva jovens desenvolvedores a criar novos softwares de código aberto. O projeto existe desde 2005, e tem o intuito de trazer à tona novas ideias, abrindo a porta do mercado de trabalho.

Outro fato que comprova esse crescimento é que o Software Livre está mais presente em nosso cotidiano do que podemos perceber. Inúmeras entidades governamentais utilizam e criam programas que auxiliam em sua gestão. O Acessa São Paulo, por exemplo, têm o seus próprio sistema operacional, o Acessa Livre, que roda em Linux, e desenvolvido para melhor atender as demandas dos usuários que frequentam os postos.

Vantagens e desvantagens

A dificuldade dos usuários ao se deparar com um Software Livre pode ser justificada pela falta de costume. Muitas pessoas acabam condicionadas ao softwares que já está instalado de fábrica em seus computadores. No entanto, a utilização de programas livres apresenta diversas vantagens desconhecidas pelo grande público. Gabriel aponta as principais: “A primeira é ter a plena certeza de que o programa que está usando executa apenas as tarefas que são permitidas por você”.

Para isso, a verificação da comunidade é fundamental. Quando a conferência do código não é possível, é difícil ter a certeza exatamente o que ele está fazendo no computador. Sem controle, informações sigilosas podem ficar em risco, aponta Gabriel. Esse é um dos motivos que leva orgãos governamentais a optarem por sistemas livres.

“A segunda vantagem é poder adaptar livremente o programa para as suas necessidades, se você tiver conhecimentos para isso ou conhecer pessoas que saibam fazer. Em muitos casos as vantagens também vão para o lado econômico. Muitos softwares livres também são gratuitos”, acrescenta o especialista.

Por fim, se engana quem pensa que Sofware Livre quer dizer “não-comercial”. Devido ao termo que vem do inglês “free software”, muitas pessoas acreditam que a gratuidade seja obrigatória. Mas não é uma regra. As possibilidades de uso e comercialização existem e são usadas, fazendo do desenvolvimento também um bom modelo de negócios.

E você, costuma usar Sofware Livre? Qual é o seu preferido? Comente abaixo.

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