Bete Nobrega nasceu no Jaçanã e despertou o interesse pela arte ainda criança. Grandes nomes do meio artístico, como Alex Vallauri e Carlos Matuck, a influenciaram a fazer do Stencil, uma linguagem artística de inspiração para a vida.

O animal é o centro da temática e cada imagem assinada pela artista traz uma mensagem subjetiva positiva.

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Para Bete Nobrega o trabalho coletivo é o que mais a movimenta (artista durante oficina de Stencil do LabLivre Acessa SP)

Com quase 30 anos de experiência em artes gráficas e mais de dez em artes visuais, Bete Nobrega associa a arte urbana à expressão pessoal.

Sua marca autoral é concentrada em diversos projetos de intervenção, exposições e ações sociais. Seus trabalhos ganham destaque em atuações dentro e fora do país, sendo vistos até em Melbourne (Austrália), considerada a capital do Stencil.

A artista é formada em Desenho Industrial pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, pós-graduada em Arte Terapia e Terapias Expressivas pela Unesp, e desde 2008, desenvolve projetos de oficinas artísticas voltadas a jovens e adultos. Segundo ela, o objetivo é resgatar a autoestima por meio da valorização dos trabalhos e de vivências criativas. Desde então, a artista concentra sua carreira na responsabilidade social e dedica-se a trabalhos que levam à ampliação dos direitos educativos e culturais de jovens e adultos.

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Obras autorais da artista buscam expressar uma mensagem subjetiva positiva

Desde 2012, Bete Nobrega faz parte do time de oficineiros do LabLivre do Acessa SP, que oferece mensalmente oito oficinas gratuitas, entre elas o Stencil Art.

Leia abaixo entrevista com a artista:

(Acessa SP) Como surgiu o interesse pelas artes visuais?

B.N: Meu interesse começou cedo. Já na infância, uma das minhas brincadeiras favoritas era desenhar e recortar meus próprios bonecos de papel. Achava os brinquedos muito limitantes. Acompanhada da minha irmã mais nova, confeccionava bonecos das mais variadas raças, crenças e profissões, depois de prontos criava histórias com eles. Minha mãe também fazia artes em casa, pintava quadros a óleo e tecidos. Algumas vezes usava moldes para aplicar a pintura. Eu gostava de ver e de participar. Admirava muito. Acredito que tudo isso me levou para o Stencil.

Apesar da minha atuação profissional na área de artes gráficas desde os 18 anos, o trabalho em coletivo proporcionado pela arte urbana me chamou a atenção enquanto acompanhava o colega Celso Gitahy em algumas de suas intervenções pelo nosso bairro. Foi quando recebi seu incentivo para fazer alguns desenhos também. No início da década de 90, me juntei a outros amigos artistas do Jaçanã para realizarmos um evento em prol de sua memória, com a apresentação de bandas e intervenção nos muros com graffiti.

(Acessa SP) Você fez algum trabalho que considera relevante nessa época?

B.N: Só fiz algumas pichações sem estilo. Durante o evento que realizamos em homenagem ao bairro, pintei um muro grande em prol da memória do Jaçanã. Fiz um grafite que destacava a cultura do local. Tinha o trem das 11 descendo o arco-íris, com duende e pote de ouro no final.  Esse evento teve pouco incentivo e aconteceu apenas uma vez devido às diversas dificuldades que os organizadores encontraram para realizá-lo na época. Também obtive um resultado frustrante, que me afastou da arte pública por vários anos.

(Acessa SP) O que a levou à escolha da área?

B.N: Todas essas influências citadas acima contribuíram para a escolha da área de artes aplicadas. Após ingressar na faculdade, novas ideias começaram a surgir e a necessidade de torná-las públicas era cada vez maior. Neste momento, retomei meu interesse pela arte de rua.

Meu processo de intervenção urbana com Stencil teve início em 2005, ao lado dos artistas Celso Gitahy, Claudio Donato e Ozeas Duarte, que também utilizam técnicas de Stencil Graffiti (máscara) para a realização dos trabalhos em muros, paredes, postes etc.

(Acessa SP) Conte mais sobre a técnica…

B.N: O Stencil Graffiti é um estilo de intervenção que se tornou parte integrante do movimento de arte urbana, sob a influência do Pop Art e de artistas que disseminaram e popularizaram seu uso, como o inglês Banksy e, no Brasil, Alex Vallauri, seu principal precursor.

Trata-se de uma técnica derivada da gravura, que atua na reprodução de imagens através de uma matriz, o que proporciona inúmeras reproduções. Com a Stencil Art podemos produzir desde grandes murais, confeccionados com máscaras complexas, até pequenos carimbos, feitos com máscaras mais simples, podendo ser aplicados em diversos pontos estratégicos da cidade. Também utilizo a técnica em papel ou adesivo para a produção de cartazes tipo “lambe-lambe” ou stickers (adesivos). Este processo facilita a colagem em espaços públicos ou privados, conforme a mensagem que se pretende transmitir.

Além dos muros e paredes, a técnica do Stencil pode ser aplicada para imprimir telas, móveis, camisetas, bandeiras, panos de prato, entre outros, tornando o seu conhecimento útil para toda comunidade, podendo ser utilizada para fins pessoais ou comerciais.

(Acessa SP) Seus desenhos autorais possuem influências africanas e indígenas. Como surgiu essa característica e o que ela representa?

B.N: As ideias surgiram durante a faculdade, quando comecei a fazer pesquisas sobre as imagens africanas e a simbologia que elas carregam. Despertado o interesse e movida por uma necessidade de expressão, resolvi colocar as imagens no muro. Minha obra pessoal possui uma estética minimalista e é composta pela repetição de meus desenhos autorais, de influência africana e indígena, criando movimento, mandalas e texturas. A figura do animal é o centro da temática e traz um conteúdo simbólico em suas diversas formas de representação. Em meus trabalhos, coloco sempre uma intenção positiva subjetiva, direcionada às pessoas da comunidade em geral. São desejos ocultos e mensagens subliminares, que buscam transformar ou denunciar questões referentes à sociedade e ao meio ambiente que a cerca, traduzidos por diferentes poéticas visuais, que possuem um mesmo estilo de desenho e traço.

(Acessa SP) O que a despertou para o trabalho em Oficinas?

B.N: Após anos de trabalhos com atividades artísticas e outras práticas que levam ao autoconhecimento, senti o desejo de ajudar outras pessoas através do fazer artístico. Minhas primeiras experiências como oficineira contribuíram para a minha especialização em Arte Terapia. Acredito que sempre que você dá uma energia, você a recebe de volta. As atividades artísticas que envolvem a confecção e a pintura do Stencil, podem promover a estruturação do sujeito, elevando a autoestima através do desenvolvimento de suas potencialidades e habilidades artísticas. Além disso, o trabalho coletivo é o que mais me movimenta, é o que vale a pena e o que proporciona como retorno uma satisfação e um bem estar muito maior.

A técnica é ensinada gratuitamente no LabLivre, laboratório de cultura digital apresentado pelo Acessa SP no Parque da Juventude.

Para saber mais sobre o LabLivre, acesse.

Veja vídeo com a artista. (Fonte: TheOoglab)

Conheça os trabalhos mais recentes de Bete Nobrega:

2015

27 de março “Dia do Grafite” – Exposição Comemorativa

Sede da ONG Ação Educativa – São Paulo/SP

2014

Arte contra o Estado – mostra de arte postal – Centro Cultural São Paulo/SP

“Galeria, título:” – L.O.T.E. – Lugar, Ocupação, Tempo, Espaço – Site Specific – Galeria do Instituto de Artes da UNESP, São Paulo/SP

L.O.T.E. – Lugar, Ocupação, Tempo, Espaço – Ocupação de área externa – Instituto de Artes da UNESP, São Paulo/SP

II BIG – Bienal Internacional de Guarulhos do Pequeno Formato – Guarulhos/SP

Projeto Ser Âmica – mostra de cerâmica  – Casa das Caldeiras, São Paulo/SP; Sociedade Amigos do Arthur Alvim, São Paulo/SP; Sociedade Esportiva e Recreativa Vila Maria, São Paulo/SP; Restaurante Cachoeira Tropical, São Paulo/SP

2013

Ressonâncias III – Itinerâncias – Workshop – obra conceitual de instalação em cerâmica idealizada pela escultura portuguesa Virgínia Fróis – Centro Cultural da UFSJ, Solar da Baronesa, São João del Rei/MG

ATUAIS OFICINAS E WORKSHOPS MINISTRADOS

Oficina do Projeto Ser Âmica – Workshop com a turma de pós graduação em arteterapia da UNIP – Instituto Movere, São Paulo/SP

Workshop de Stencil Graffiti – Arteria Ponta Ponta, São Paulo/SP

Oficina de Stencil Graffiti – LabLivre Programa AcessaSP – Parque da Juventude

Texto e entrevista: Andresa Gouvêa

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