Criado para que o acesso à Internet fosse uma realidade para todos, o programa amadureceu e, hoje, funciona também como um espaço de inovação e prestação de serviços públicos.

Um dos maiores programas de inclusão digital do país, o Acessa SP completa 15 anos e traz, em seu balanço, histórias de vida de incluídos e daqueles que ajudaram a promover a inclusão digital no país. Profissionais de diferentes áreas que foram trabalhar como monitores do Acessa SP encamparam a proposta do governo do Estado de incluir digitalmente pessoas de todas as idades, e desenvolveram cursos para atender as necessidades da comunidade local.

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Programa completa 15 anos e relembra iniciativas bem-sucedidas

As iniciativas bem-sucedidas ao longo desse período reúnem ações que vão da promoção da economia local, passando pelo turismo, meio ambiente e a inclusão de portadores de necessidades especiais no mundo digital. Muitos dos monitores estão no programa desde que o posto começou a funcionar em suas cidades. Nesta série de reportagens especiais sobre os 15 anos do Acessa SP contamos um pouco das boas iniciativas.

Marabá Paulista

Inclusão para todos

Com pouco mais de 5 mil habitantes, a cidade de Marabá Paulista, na região de Presidente Prudente, transformou o posto do Acessa SP numa extensão do ensino. Instalado na Secretaria de Educação, o posto tem, além dos computadores destinados ao uso do público em geral, um espaço com desktops com recursos de acessibilidade para o uso de portadores de deficiência visual e auditiva.

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Monitora utiliza recursos de acessibilidade para o uso de portadores de deficiência visual e auditiva

A inciativa de colocar no posto mais computadores, com os software Virtual Vision e Braille Fácil, foi da monitora Elizângela Souza, que trabalha no Acessa SP desde que o programa começou na cidade, em 2006. “Meu município é muito carente e quando o posto foi instalado vieram pessoas de diferentes perfis, inclusive deficientes visuais e auditivos, que buscavam na tecnologia um meio para continuar estudando”, conta a monitora.

Ela lembra que 99% dos usuários eram leigos em informática e, na primeira fase do Acessa, os cursos ensinavam a usar o computador. “Com o programa essas pessoas começaram a descobrir o mundo de outra forma, a se interessar por cursos online”, relata. Assim, a atividade de navegar na Internet tomou outro rumo. Hoje, os usuários vão ao Acessa SP em busca de capacitação. “Os jovens fazem cursos de inglês online, outros usam os computadores para fazer currículo e para procurar emprego”, informa Elizangêla.

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Jovens fazem cursos de inglês online e usam o espaço para fazer currículo e procurar emprego

A instalação do posto na Secretaria de Educação de Marabá Paulista motivou também os professores da rede pública de ensino a usarem o espaço. “Eles têm se capacitado em tecnologia e em outros cursos de EAD (Ensino a Distância) em renomadas instituições como a USP”, diz Elizangêla.

Projeto premiado

O projeto ‘Vivendo, vendo e Ouvindo’ foi um dos cursos mais duradouros do Acessa SP. Começou em 2006 e se estendeu até 2012. Na fase de elaboração do curso, a equipe do Acessa SP mobilizou médicos e professores e contribuiu para o ensino de Libras (Língua Brasileira de Sinais) nas escolas para que os portadores de deficiência auditiva pudessem ser alfabetizados. “As crianças alfabetizadas hoje frequentam outros cursos na escola estadual e eu continuo trabalhando com os deficientes visuais”, conta Elizângela. Formada em administração de empresas, a monitora fez especialização em Educação Especial e desenvolve seu trabalho no Acessa em parceria com a área de educação do município.

Ribeirão Grande tem o que mostrar

O posto do Acessa SP em Ribeirão Grande, em funcionamento desde maio de 2006, é o único espaço público de acesso à Internet no município, emancipado de Capão Bonito em 1991. Apesar de nova, a cidade tem uma história datada de 1800, quando surgiu o povoado de Ribeirão Grande. Foi pensando no resgate desse passado que o monitor Edil Queiroz de Araújo, 29 anos, desenvolveu um curso para ensinar alunos da ETEC de Capão Bonito a construir, no modelo colaborativo, um mapa virtual da região para colocar a pequena cidade na rota do turismo. “A região tem um passado histórico e minha ideia foi usar ferramentas livres para mapear pontos históricos e criar um mapa virtual para incentivar a cultura e o turismo”, explica Araújo.

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Monitor diz que acreditar é o primeiro passo para alcançar objetivos

O projeto RGM (Redescobrindo o Gosto por Mapas) começou a ser desenvolvido em 2011, com software livre e tecnologia do OpenStreetMap (sistema que usa dados de receptores GPS, fotografias aéreas e outras fontes de pesquisa para fazer um mapeamento, de forma colaborativa). Assim, Ribeirão Grande ganhou seu mapa na Internet.

O sistema recebe informações, que podem ser adicionadas por qualquer usuário. Hoje, é possível encontrar indicação de uma trilha para bike, baixar o mapa da cidade e imprimi-lo, caminhar pelas ruas usando o recurso do street view, ver fotos da região, etc. “Com a colaboração de outras pessoas estamos documentando os pontos de referência na cidade e no seu entorno”, comenta Araújo.

O posto do Acessa SP em Ribeirão Grande é frequentado por cerca de 20% da população da cidade, com 7,6 mil habitantes. “Aqui prestamos diversos serviços de utilidade pública, como emissão de segunda via de contas de água e luz, agendamento de serviços no Detran ou consulta a outros serviços por meio da Internet, como a Nota Fiscal Paulista”, exemplifica.

Edil Queiroz trabalha no posto desde sua inauguração. Funcionário da prefeitura, parceira do governo do Estado no Acessa SP, tem curso técnico de informática e gosta de trabalhar com o desenvolvimento de aplicativos. “Acreditar que suas ideias podem se tornar verdadeiros projetos é o primeiro passo para um mundo de experiências e descobertas”, ensina.

Ilha Solteira

Bons frutos para a economia local

Desde maio de 2009 à frente do Acessa SP de Ilha Solteira, a monitora Ana Luiza Xavier faz um trabalho que vai muito além de ajudar os usuários do programa a se conectarem a Internet. Nesses seis anos, ela desenvolveu dois projetos que beneficiaram comunidades locais – mulheres de assentamentos rurais e jovens que vivem em áreas de vulnerabilidade social – e começa, agora, a implementar uma nova ideia, usando o conceito de crowdfunding para sua execução.

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Mulheres de assentamentos utilizam internet para fazer pesquisas

Trata-se de uma iniciativa para reformar a padaria do assentamento Santa Maria da Lagoa. A exemplo dos projetos anteriores, Ana Luiza também foi em busca de parceiros. Conseguiu o apoio da Alicerce, empresa júnior da Engenharia Civil da Unesp, para elaborar o projeto da reforma, que será colocado por ela na plataforma de financiamento coletivo Catarse.

Esta é mais uma iniciativa da monitora para usar a tecnologia em prol da comunidade. Em 2012, uma ideia se transformou no projeto premiado Planilha Eletrônica e Educação Financeira (concorreu com cerca de 300 projetos e venceu o Prêmio Mario Covas na categoria Cidadania em Rede). A cidade de Ilha Solteira tem dois programas sociais para jovens, um deles o Ilha em Papel. Os adolescentes fabricam papel com material reciclado e têm participação nos lucros. Ao se deparar com esse público no posto do Acessa SP, Ana Luiza percebeu que usavam a Internet mas não utilizavam as ferramentas de aprendizado disponíveis na rede. Elaborou o projeto para ensinar os jovens a usar uma planilha eletrônica e, ao final do curso, levou 40 jovens para conhecer a Bolsa de Valores de São Paulo. “Consegui ensiná-los a gerenciar os recursos e investir parte do salário que recebem no programa Ilha em Papel”, comenta.

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Monitora Ana Luiza ensina jovens de Ilha Solteira a gerenciar recursos e investir parte dos salários

No ano seguinte, ao perceber que o público do Acessa SP era predominantemente masculino, Ana Luiza foi em busca das mulheres de dois assentamentos na cidade (além do Santa Maria, onde será reformada a padaria, tem o assentamento Estrela da Ilha). Primeiro, conheceu suas necessidades e desenvolveu um curso sobre edição de textos, navegação na Internet, como usar e-mails e redes sociais. “Hoje, essas mulheres usam a Internet para fazer pesquisas sobre sementes, cultivo ou simplesmente para enviar um e-mail”, diz. Muitas das participantes são chefes de família e dirigentes em associações de bairro e não tinham acesso a Internet.

O engajamento da monitora faz do Acessa SP um dos postos do programa de inclusão digital do governo do Estado de maior sucesso. Instalado na praça central de Ilha Solteira, cidade com 26 mil habitantes, localizada na região administrativa de Araçatuba, o posto ganhou mais máquinas – passou de seis computadores para 15 – para atender a demanda, e a prefeitura de Ilha Solteira, parceira do governo estadual no projeto, cedeu um link dedicado para o posto.

Com 37 anos, a monitora tem Licenciatura Plena em Pedagogia e Pós Graduação em Políticas Públicas e Gestão Educacional. Trabalhou como educadora por nove anos na prefeitura e foi para o Acessa logo após a inauguração do posto, no início de 2009. Além do Prêmio Mario Covas, as iniciativas de Ana Luiz lhe renderam prêmios do programa Acessa SP. “A cara de um posto quem faz é o monitor”, ensina.

O Acessa de Ilha Solteira é frequentado por cerca de 15% da população da cidade. Os computadores têm o sistema Orca, tecnologia assistiva, que ajuda deficientes visuais a usarem o computador; e o posto tem WiFi para uso da Internet pela comunidade.

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Um comentário Acessa SP: 15 anos de bons serviços à população

  1. Parabéns,para o governador,por mais um serviço prestado a população.A população de Itaquá,agradece.

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