Muita gente conhece aquela vendedora que vai de porta em porta com a sua mala oferecendo produtos para clientes. De cosméticos a alimentos, esse tipo de ocupação profissional é tradicional em diversas cidades do Brasil. Segundos dados do Sebrae, com as mudanças na economia, esse trabalho vem crescendo a cada dia, ajudando a complementar a renda de milhões de famílias no país. Segundo o órgão, são vários os motivos que levaram ao crescimento desse tipo de trabalho, entre eles:

  1. crescimento do poder de compra da classe C;
  2. busca de comodidade e praticidade na compra;
  3. trânsito e falta de locais com estacionamento, o que dificulta a visita a uma loja;
  4. segurança da compra em casa;
  5. mudança da cultura de consumo, principalmente com o aumento de compras pela internet;
  6. lojas cada vez mais cheias e com um atendimento precário.

Outro exemplo considerado é a busca pela independência pessoal e financeira. É o caso da vendedora Vânia Melo de Oliveira, que participa da oficina “Escritório Digital” no Lab Livre. Casada, 47 anos de idade, mãe de três filhos (um falecido e outros dois que já não moram mais em sua casa), ela tem um hábito: gosta muito de ler e comprar livros. Dependendo de seu marido para poder fazer suas compras, ela decidiu tentar algum tipo de trabalho para ter uma renda própria.

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Vânia é baiana e chegou a São Paulo em 2001 em busca oportunidades

“Vim de Salvador, Bahia com a minha família em 2001 porque diziam que São Paulo era a terra das oportunidades. Meu marido ficou desempregado e diante da dificuldade, resolvemos arriscar. Logo que chegamos aqui ele já conseguiu um trabalho”, diz Vânia, que também resolveu ajudar e conseguiu seu primeiro trabalho para trabalhar como recepcionista e logo em seguida foi para uma lanchonete. “Sempre gostei do contato com o público, talvez venha daí a minha facilidade de relacionamento com as pessoas”.

Porém, o trabalho com carga horária de oito horas diárias e a segunda parte da jornada com os afazeres domésticos tirava a possibilidade dela praticar leitura. “Mulher tem jornada dupla. Isso me impedia de ler meus livros. Por isso fui buscar uma ocupação onde eu pudesse me dedicar a isso e também a estudar ou fazer alguns cursos”.

Um dia, passeando com seu neto pelo Parque da Juventude ficou sabendo das oficinas de informática oferecidas no Lab Livre e se inscreveu. Mais ou menos na mesma época, ao conversar com uma amiga que estava procurando um trabalho, foi aconselhada a vender roupas indianas. “Ela já conhecia os donos da loja e me levou até lá. Resolvi tentar e está dando certo.” Vânia passa na loja, pega as roupas e vende de porta em porta com a sua mala.

Quando participava da oficina “Escritório Digital” ouviu a dica do oficineiro Rubens: abrir uma conta  no Facebook e começar a vender também pela internet. Primeiro ela começou a trabalhar pelo seu perfil pessoal onde as pessoas entravam em contato, faziam os pedidos e ela ia pessoalmente entregar as peças, mas acabou mudando para uma fan page para a “Vento Indiano” que é como ela chama a sua loja itinerante, “ainda estou aprendendo a mexer. O perfil era mais fácil. Tenho poucos seguidores, mas acho que vou conseguir desenvolver mais esse lado”, diz Vânia que antes de participar das oficinas do Acessa SP não sabia ligar o computador.

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Vânia é usuária do Lab Livre do Acessa SP, onde aprendeu a criar sua fanpage e comercializar pela internet

Segundo especialistas, uma saída para o desemprego é a venda de porta em porta. O número das pessoas que estão partindo para essa atividade aumentou 5% de setembro deste ano para setembro do ano passado. O Brasil é o quinto país no mundo em vendas diretas. O setor movimentou quase R$ 30 bilhões só neste ano. Mais de 4,6 milhões de brasileiros estão nesse caminho.

“Em um momento de recessão econômica, o que está acontecendo é que os empresários têm buscado outras alternativas para a distribuição de seus produtos, além do varejo tradicional, e-commerce etc”, diz Roberta Kuruzu, diretora-executiva da Abevd (Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas)

O caso de Vânia comprova essa teoria. Segundo ela as vendas estão indo muito bem, mesmo diante de um cenário de dificuldades: “não saio de casa sem a minha mala de roupas. Onde passo e as pessoas me conhecem já pedem para ver o que tenho de novidades.” Seu maior sonho é que as vendas de roupa possam levá-la de volta a Salvador onde ela pretende abrir uma loja física: “Acho que eu teria sucesso lá por causa do estilo das roupas. Quem sabe dácerto não é?”

Quer Empreender e não sabe por onde começar? Veja as dicas que separamos para você:

Hangout Empreendedorismo – Bruno Caetano – Sebrae/SP

Ensino à distância Sebrae SP

Ensino à distância Banco do Povo

*Robson Leandro/Acessa SP, com informações do Sebrae-SP e Jornal da Globo

 

 

 

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