Uma das primeiras grandes decisões que o jovem precisa tomar ao chegar à vida adulta, a escolha profissional costuma ser um momento angustiante por suscitar diversas dúvidas. Seguir uma carreira rentável ou aquela que trará maior realização pessoal? Escolher uma ocupação consolidada e valorizada pelo mercado de trabalho ou arriscar-se em um ramo que ainda engatinha?
A ansiedade é agravada durante o final do ensino médio, quando é preciso inscrever-se e passar nos vestibulares. Se alguns estudantes se mostram maduros para realizar a escolha, outros precisam de auxílio nesse processo.

Para a especialista Marina Segnini, psicóloga e orientadora profissional, o trabalho ocupa um lugar central na vida do sujeito adulto, pois lhe confere uma identidade, um papel social e uma renda. No entanto, um dos aspectos geradores de ansiedade nesse momento é a falsa ideia de que se escolhe uma profissão para o resto da vida. “A identidade ocupacional é algo que poderá ser transformado pelo jovem ao longo da sua história”, explica Marina.

Silvio Bock, doutor em Educação e diretor do Núcleo de Atendimento e Consultoria em Educação (nace), instituto que presta serviços na área de orientação vocacional, compartilha da visão. “A ideia de que você escolhe, naquela ocasião, como será o resto da sua vida traz uma responsabilidade irreal. É uma decisão grande, mas ela é apenas o primeiro passo que será seguido de outras escolhas tão importantes quanto”, aponta.

Tendo isso em vista, é possível que a escolha seja mais assertiva se o estudante considerar alguns pontos. “O retorno financeiro e o mercado de trabalho não devem ser negligenciados. Mas a escolha madura leva em consideração outros aspectos da vida, como o que sente que gostaria de estudar, de ser e de fazer”, diz Marina.

Contexto familiar é outro elemento que costuma pesar na decisão, já que os jovens são diretamente influenciados pelas expectativas e projeções que seus pais depositam neles. Se por um lado encontramos pais que desejam que seus filhos sigam determinada carreira porque foi a profissão que eles tiveram ou porque é a que gostariam de ter tido, em outras famílias, tais expectativas são transmitidas mais sutilmente. “Quem nunca ouviu os pais, ao observarem habilidades de seus filhos, já lhes conferirem uma identidade profissional? ‘Minha filha adora argumentar, futura advogada da família’ ou ‘Meu filho não pode ver um cachorro na rua e já quer trazer para casa, será veterinário’”, lembra Marina.

O apoio das famílias nesse momento é essencial, mas é preciso não deixar que projeções, influências e expectativas alheias se tornem a única referência do jovem. Este precisa ter a consciência desses desejos, questioná-los e refleti-los.

No caso de contextos familiares onde a pressão é muito intensa, um caminho é dialogar e abrir espaço para experimentações, ensaios, ideias e erros. “Quando um filho apresenta uma ideia de graduação ou profissão, os pais devem incentivar a busca por maior informação sobre a área”, afirma Marina. “Inclusive, podem pesquisar juntos, transformando esse momento em algo também prazeroso.”

Bock aponta ainda que é preciso considerar que jovens oriundos de diferentes classes sociais sofrerão expectativas diferentes de suas famílias. “Nas classes mais baixas, a família tem um papel diferente do da classe média. Na classe média, a tarefa que se coloca ao jovem pela família é estudar para entrar na faculdade. Já nas classes mais

A escola, por sua vez, também possui um papel importante na orientação profissional de seus alunos e deve estimular a busca de informação sobre o mundo do trabalho e incentivar a reflexão pessoal sobre a escolha ocupacional e não apenas as vésperas do vestibular. “A escola pode realizar atividades que sensibilizem o aluno para a temática do trabalho por meio de reflexões sobre a ação do indivíduo no mundo. E, gradualmente, a temática sobre a escolha profissional se intensifica para que no ensino médio seja realizada uma intervenção com foco específico em auxiliar o jovem a dar o primeiro passo”, aconselha Marina.

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