Quem acha que os idosos não querem saber do mundo digital e da internet está muito enganado. No posto do AcessaSP instalado no Centro de Referência do Idoso na Zona Norte da Capital (CRI Norte), o interesse pelo curso de informática se repete ano a ano. Desenvolvido pela equipe do Centro de Convivência do CRI Norte – parceria entre o Governo do Estado e a Associação Congregação de Santa Catarina, o curso é realizado desde 2013 e não faltam candidatos para preencher as vagas das seis turmas formadas anualmente.

De acordo com o monitor e professor do curso, Vinicius Santos Faro, para se inscrever, a idade mínima é de 60 anos, mas a idade média dos alunos que frequentam as aulas de informática é de 70 anos. Os mais velhos estão nos oitenta, mas Vinicius já teve uma aluna de 93 anos, que terminou o curso no semestre retrasado.

Entre os octogenários que frequentam o curso atualmente está João Herculano Ribeiro, 86 anos, que já sabe como navegar nas redes sociais e ouvir música no computador. Para ele, essas atividades e o aprendizado são uma terapia. Colega de turma de Sr. João, Josefa Rodrigues Gomes, 85 anos, frequenta o curso no CRI Norte desde março. “Já sei fazer e-mail, estou recebendo e enviando mensagens, estou gostando”, diz. Para ela, o mais difícil foi abrir uma conta no Facebook. “Tive um pouco de dificuldade mas superei. Para mim esse curso foi tudo na minha vida. Eu tinha muita vontade de mexer com computador”, conta dona Josefa.

Dona Josefa

O curso tem dois módulos, num total de 32 horas. No módulo I os alunos aprendem noções básicas de informática, como digitação, funcionalidades do computador, uso do mouse. No módulo II, são ensinados os recursos da internet, como fazer pesquisas, criar e enviar e-mails, navegar pelas redes sociais, além de noções de navegação com segurança, para que possam identificar páginas e e-mails suspeitos de malware. Cada módulo dura quatro meses e, no ano, são formadas seis turmas, num total de 60 alunos. As aulas são às segundas, quartas e sextas. Nos demais dias, o posto abre para acesso livre, quando jovens e adultos também podem ocupar o espaço. Porém, por estar em um ambulatório especializado para idosos, a maior frequência é desse público.

Horários para acesso livre

Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira
8h às 10h 8h às 16h 8h às 9h 8h às 16h 8h às 9h
12h às 14h  – 12h às 14h  – 12h às 16h


Depoimentos

Nos depoimentos sobre o curso e o que representa a inclusão digital em suas vidas, os idosos destacam a paciência do jovem professor Vinicius, 23 anos, e da voluntária Maria Augusta Rocha de Jesus, 76 anos, que fez o curso há quatro anos e, atualmente, trabalha como voluntária, auxiliando o professor. Além de Maria Augusta, outros dois ex-alunos – Lothar Erichklinke, 78 anos, e Luzia Dos Passos Cavalcante, 78 anos – se tornaram voluntários e ajudam o professor com as turmas de segunda e sexta-feira.

 

A opinião de alguns alunos:

“O horário é muito curto. Poderia ser ampliado”, Walter Esppadin, 67 anos

“Gosto muito, aprendo algumas coisas devagar, mas o professor é bom e paciente. Já consigo mandar e-mail”, Mariana de Jesus, 71 anos

“O curso é muito bom mas poderia ter mais aulas na semana”, Ari Osvaldo Bertioga, 73 anos

“Gosto muito, tenho dificuldades mas já melhorei bastante. Tenho problema de visão, o que atrapalha um pouco, mas mesmo assim estou aprendendo”, Ana Maria Cesário, 69 anos.

Além dos alunos entrevistados, o AcessaSP recebeu um comentário enviado pelo aluno da turma de quarta-feira, José Florentino Filho:

““Quero demonstrar minha gratidão ao programa do AcessaSP, que disponibiliza de forma gratuita acesso à internet. Tenho 71 anos e hoje consigo me inteirar no que diz respeito a inclusão digital, claro com todo apoio e ajuda do Centro de Referência ao Idoso, na Zona Norte, posto que eu frequento, que conta com um profissional excelente como monitor, que auxilia em qualquer dúvida. Sem contar a parte física do local que é disponibilizada pelo CRI Norte, que é muito aconchegante, a sala conta com 10 máquinas apenas, mas tem ar condicionado e a receptividade é o ponto forte. Sou tratado muito bem e me sinto confortável.”

Da esq. para à dir.: João, Rondon, prof. Vinicius, Rodrigues, Josefa, Maria, José e Maria Augusta (voluntária)

Walter, Mariana, Ari e Ana Maria


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